Cerca de 20 pessoas morreram em território russo desde o fim de semana, segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa russa, numa altura em que os ataques com drones se tornaram praticamente diários em várias regiões da parte europeia do país.
Um dos ataques com maior impacto ocorreu no sábado, quando uma explosão num restaurante no centro de Moscovo provocou cinco mortos e 21 feridos.
Segundo informações divulgadas pela imprensa russa, o alegado alvo seria o comandante das Forças Aeroespaciais russas, Alexander Chaiko, que celebrava no local o 55.º aniversário, num evento em que estariam presentes responsáveis da segurança, militares, parlamentares e altos funcionários governamentais.
Chaiko comandou, no início da invasão da Ucrânia, tropas do Distrito Militar Oriental russo, algumas das quais foram acusadas de envolvimento nos crimes cometidos em Bucha, nos arredores de Kyiv.
Os ataques têm igualmente afetado as regiões turísticas do Mar Negro e da Crimeia, numa altura de elevada procura durante as férias de verão.
Pelo menos três pessoas morreram e 13 ficaram feridas hoje devido à queda de fragmentos de drones no distrito de Gelendzhik, na região de Krasnodar, junto ao Mar Negro, segundo as autoridades locais.
Horas antes, o responsável nomeado por Moscovo para a Crimeia, Serguei Aksyonov, tinha anunciado a morte de quatro civis num ataque noturno ucraniano, sem especificar o local ou o tipo de armamento utilizado.
A península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, tem sido um dos principais alvos das operações ucranianas contra instalações militares e logísticas russas.
Também os centros de distribuição da Wildberries, uma das maiores plataformas russas de comércio eletrónico, têm sido repetidamente atingidos.
Um ataque realizado hoje contra um armazém da empresa na região de Vladimir, cerca de 150 quilómetros a leste de Moscovo, provocou um grande incêndio e feriu três trabalhadores.
Segundo informações divulgadas na Rússia, este foi o 18.º centro logístico da Wildberries atingido desde 18 de julho, numa série de ataques que terá provocado cerca de uma dezena de mortos e prejuízos significativos.
As regiões fronteiriças com a Ucrânia continuam, contudo, entre as mais afetadas.
Na região de Bryansk, oito pessoas ficaram feridas hoje, enquanto as autoridades de Belgorod anunciaram quatro mortes no domingo, incluindo uma adolescente de 13 anos atingida num ataque com um drone e três trabalhadores de uma exploração agrícola mortos num ataque com mísseis.
As forças ucranianas atingiram ainda no domingo uma refinaria na região de Saratov, cerca de 700 quilómetros a sudeste de Moscovo, a terceira instalação deste tipo atacada em menos de uma semana.
Kyiv tem vindo a intensificar a campanha de ataques de longo alcance contra infraestruturas energéticas e logísticas russas, defendendo que estas instalações contribuem para sustentar a capacidade militar de Moscovo.
A multiplicação dos ataques ocorre depois de o Presidente russo, Vladimir Putin, ter rejeitado uma proposta ucraniana para um cessar-fogo aéreo.
Moscovo acusa Kyiv de recorrer a “ações terroristas” destinadas a provocar medo entre a população civil, enquanto as autoridades ucranianas têm reiterado a intenção de levar as consequências da guerra ao território russo.
Leia Também: Rússia diz ter destruído “raro drone português” fornecido à Ucrânia



