Miguel Relvas considera que “a sensação de uma certa desorganização e improviso” por parte do Governo quanto à lei laboral “é injusta” e não passada de uma aparência.
Por ter ficado “muito surpreendido” com “esta pressa agora” das negociações entre o Governo e o Chega, decidiu, como revelou na CNN Portugal na noite de segunda-feira, pôr-se “a caminho, a tentar saber a razão, aquilo que não é público”.
“A responsabilidade não é da ministra do trabalho. Vim a saber que a PSU [Prestação Social Única] esteve retida na presidência de Conselho de Ministros, no gabinete do ministro Leitão Amaro, ninguém sabe porquê, durante três meses. E agora estamos aqui com uma pressão que, ainda por cima, colide no mesmo momento e em simultâneo com esta questão da legislação laboral”, notou.
Miguel Relvas admitiu que “não é fácil com um líder imprevisível como André Ventura, principalmente nesta situação de contacto “pontual” e ter “momentos”. “Acho que não é fácil e é um jogo muito perigoso para ambos os lados. É muito difícil ganharem os dois: o Governo e o Chega”, atirou, lembrando que o encontro de hoje entre Montenegro e Ventura vai trazer novidades.
Para o antigo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares do PSD, o Executivo devia ter feito um “estudo antes” de negociar com o Chega, porque isto é “muito importante para a questão da seriedade”.
“Nós sabemos o que André Ventura quer. Ele não quer governar com o PSD. Ele quer governar além do PSD. Essa é que é a questão”, recordou, evidenciando a queda de apoio nos setores mais jovens.
“A questão da legislação laboral é a demonstração de como o Chega tem uma dificuldade de contribuir para uma maioria à Direita, que tanto gosta de falar. Esta é daquelas matérias que é fundamental para a competitividade da economia. Esta legislação laboral merece ser tratada como uma grande seriedade no Parlamento, com uma grande objetividade”, salientou.
Assim, para Miguel Relvas o encontro de hoje entre o primeiro-ministro e o líder do Chega poderão trazer circunstâncias que “não são boas para nenhum dos lados e são más para o sistema político”.

“O Chega, às vezes, é mais socialista do que o PS”, atira Pinto Luz
O ministro das Infraestruturas e Habitação defendeu que “o Chega, às vezes, é mais socialista que o PS” e que tem “atitudes e posições sobre temas absolutamente fraturantes que o coloca mais à esquerda que o PS”, no dia em que Luís Montenegro volta a reunir-se com André Ventura.
Natacha Nunes Costa | 08:14 – 16/06/2026



