“Desejamos as maiores felicidades à nova direção executiva e esperamos que sejam capazes de viver o discurso, uma parte pelo menos, do discurso que fizeram, de puxar a futuros acordos, eventualmente, com o partido do Governo e mais críticas construtivas e menos polarização no Parlamento, porque acho que a democracia tem muito a ganhar com isso”, defendeu.
A dirigente social-democrata falava aos jornalistas no final do 17.º Congresso do Livre, que decorreu em Sintra, distrito de Lisboa.
Sobre as críticas à aproximação do PSD e do Governo à extrema-direita, Inês Palma Ramalho disse que os sociais-democratas não se reveem “de todo”.
“É preciso lembrar que os portugueses, quando votaram nas eleições legislativas, deram um mandato muito claro a este Governo, que era um mandato de maioria legislativa. Isso coloca-nos numa posição em que, para fazermos o país avançar, temos de chegar a acordos com as forças parlamentares que existem no Parlamento, mas isso aplica-se quer à esquerda, quer à nossa direita”, defendeu.
A dirigente do PSD considerou que os eleitores também “deram um mandato muito claro” aos outros partidos “para negociar com o Governo, para fazer o país avançar e isso não bloquear o avanço do país”.
“Esse mandato foi dado quer ao Partido Socialista, quer ao partido Chega, e o partido do Governo, como governa para todos os portugueses, tem também de dar eco a isso e ouvir todos os portugueses”, salientou.
Sobre o apelo da porta-voz do Livre, que desafiou o PS a travar uma revisão constitucional à direita ameaçando chumbar o próximo Orçamento do Estado, de forma a pressionar os sociais-democratas, Inês Palma Ramalho disse que parecia que Isabel Mendes Lopes “agora dita a agenda do PS”.
“A nossa Constituição é uma Constituição que prevê a sua potencial revisão a cada cinco anos, nós temos uma Constituição que está muito pouco adaptada aos dias de hoje, temos uma Constituição que não é adequada há mais de 20 anos. Não é deste mandato que surge a questão da revisão constitucional, já tinha surgido no anterior”, referiu,
A social-democrata assinalou também o Governo e o PSD não pretendem “nenhuma mudança de regime”, mas defendeu que “é preciso discutir a revisão constitucional” e espera que esse debate aconteça com todos os partidos, que “devem respeitar a Constituição” e “devem estar disponíveis para discutir de forma o mais construtiva possível para ela poder representar melhor Portugal”.
Pela IL, o vice-presidente André Abrantes Amaral disse que gostaria de ter ouvido o Livre a falar sobre temas como “a crise demográfica, a crise da habitação, a justiça, a necessidade da reforma eleitoral, o regresso dos défices que é previsível e da dívida pública”, defendendo que “é isso que tira a competitividade à economia portuguesa e impede que os jovens portugueses possam ter uma vida com um melhor futuro”.
“Este congresso demonstra um Livre que é um conjunto de máscaras e de sombras. Atrás de um discurso moderno, da ecologia e do progressismo, encontramos ideias velhas, antigas, próprias do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda”, acusou.
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