Este dualismo político foi traçado por Luís Montenegro no discurso com que encerrou o Congresso Nacional do PSD, em Anadia, distrito de Aveiro, durante o qual, perante a chefe da Casa Civil do Presidente da República, Cláudia Ribeiro, também acentuou a sua vontade de manter uma “colaboração estratégica e construtiva” com o chefe de Estado, António José Seguro.
Do ponto de vida político, o primeiro-ministro procurou demarcar-se tanto do PS, como do Chega.
“Escolhemos construir soluções e governar, porque governar significa olhar para além do momento mais mediático. Governar significa pensar nas consequências das decisões, a curto, a médio e a longo prazo”, começou por dizer.
De acordo com Luís Montenegro, “o PSD nunca escolheu o imobilismo, nunca escolheu o cálculo cínico de esperar pelo melhor momento para agir. Escolheu sempre a responsabilidade da transformação – e essa continua a ser a nossa missão”, sustentou.
A seguir, foi mais específico na linha de demarcação política que apresentou.
“Ao longo dos últimos meses, fomos confrontados com uma realidade política que todos conhecem: Sempre que surge uma reforma para responder aos desafios do futuro, logo aparecem forças políticas disponíveis para a travar. Por vezes até obstinadas em fazer com que tudo fique na mesma”, declarou.
Algumas dessas forças políticas, de acordo com o líder do executivo, “continuam presas a modelos que pertencem ao passado e não têm futuro”.
“Outras parecem preferir quase sempre a conveniência do momento à responsabilidade do longo prazo. Nós, no Governo, na AD, fizemos uma escolha diferente”, sustentou.
Em contraste com as oposições, o primeiro-ministro procurou apresentar o PSD como o partido defensor da meritocracia.
“Durante demasiado tempo habituámo-nos a discutir as limitações do país, habituámo-nos a falar das dificuldades, dos constrangimentos e das oportunidades perdidas. Habituámo-nos a olhar quase exclusivamente para aquilo que nos faltava em vez de encararmos o muito de bom que Portugal tem para criar e para oferecer”, considerou.
Na perspetiva do primeiro-ministro, no presente, “mais do que nunca, Portugal está perante uma realidade diferente” com “uma economia robusta”.
“Temos empresas mais internacionalizadas, universidades que formam talento reconhecido em todo o mundo, gerações altamente qualificadas, sobretudo as dos jovens que agora se estão a lançar no mercado de trabalho. Temos capacidade científica, tecnológica e empresarial para competir com os melhores”, advogou.
Para Luís Montenegro, “o grande desafio consiste em transformar esse potencial em prosperidade e qualidade de vida para todos”.
“Consiste em criar condições para que os portugueses possam concretizar, em Portugal, os seus projetos de vida. Consiste em fazer de Portugal um país onde o trabalho é valorizado, onde o mérito é recompensado e onde cada geração pode viver melhor do que a geração anterior”, acrescentou.
Antes de o primeiro-ministro iniciar o seu discurso, no congresso do PSD, foi passado um vídeo sobre algumas das medidas tomadas pelos governos da AD nos dois últimos anos.
Nas saudações aos convidados, além do destaque que conferiu à chefe da Casa Civil do Presidente da República, Luís Montenegro aproveitou para frisar que o CDS é “o parceiro preferencial” do PSD e para dizer aos representantes dos parceiros sociais que o seu Governo aposta no diálogo e na concertação.
Perante os representantes do corpo diplomático em Portugal, lembrou a recente a eleição de Portugal para membro não permanente do Conselho de Segurança. Disse então que Portugal se baterá pela paz, pela sustentabilidade ambiental, pelo diálogo e pela diploma.
[Notícia atualizada às 14h16]

“Baixar a idade das reformas hoje significa cortar pensões amanhã”
O presidente do PSD pediu hoje aos portugueses que “não se deixem enganar” pelo Chega, sem referir o nome do partido, avisando que “baixar a idade das reformas hoje significa cortar pensões amanhã”.
Lusa | 13:56 – 21/06/2026



