Roger Mariaca, foi acusado formalmente hoje, dois dias após os Estados Unidos terem retirado o seu visto por alegadas ligações ao narcotráfico.
As acusações imputadas dizem respeito a participação numa “organização criminosa (…), branqueamento de capitais e tráfico ilícito de estupefacientes”, declarou o ministro do Interior boliviano, Marco Antonio Oviedo, numa conferência de imprensa.
“Foi desmantelada uma organização criminosa enraizada no sistema judicial e na administração” do Ministério Público, que era alegadamente “liderada por Roger Mariaca”, disse ainda Oviedo.
Esta “organização criminosa” tinha como “objetivo incentivar e proteger o narcoterrorismo no país”, acrescentou o ministro do Interior na conferência de imprensa em que se fazia acompanhar pelos ministros da Defesa, Ernesto Justiniano, e da Presidência, Fernando Aramayo, além de altos responsáveis da polícia.
Momentos após a detenção de Mariaca, um funcionário do Ministério Público denunciou o seu “sequestro” na região oriental de Santa Cruz, nomeadamente no Aeroporto Internacional de Viru Viru.
A mesma fonte denunciou ainda uma intervenção policial na sua sede na cidade de Sucre (sul), capital constitucional da Bolívia.
A fonte indicou que Mariaca se deslocou a Santa Cruz “para cumprir a sua agenda institucional”.
Os funcionários denunciaram ainda que agentes da polícia estavam a “invadir ilegalmente as instalações” do Ministério Público Geral do Estado em Sucre e, na transmissão em direto, observaram-se nessas instalações pessoas com o rosto coberto e a usar coletes do Centro Especial de Investigação Policial, uma unidade de inteligência.
Juntamente com Mariaca, foi também detido o procurador departamental de Santa Cruz, Alberto Zeballos, sem que, até ao momento, o Governo ou a Polícia tenham fornecido qualquer informação oficial a este respeito.
As detenções ocorreram depois de, na segunda-feira, a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter informado que decidiu revogar os vistos de altos funcionários da Bolívia, da Colômbia e do Peru, a quem acusa de serem corruptos e de “minarem governos eleitos democraticamente”.
A Bolívia é o país com mais cidadãos sancionados numa lista publicada pelo Departamento de Estado norte-americano, na qual são mencionados 13 funcionários e ex-funcionários, incluindo Mariaca e Zeballos.
O Governo norte-americano salientou então que as ações de Mariaca “colocam em risco os esforços do Presidente Trump para combater o narcoterrorismo, ao mesmo tempo que minam as mesmas instituições democráticas que a Bolívia, enquanto participante do programa Escudo, procura fortalecer”.
O executivo boliviano classificou na segunda-feira estas acusações como graves e solicitou aos Estados Unidos as informações necessárias para investigar no país as pessoas mencionadas pelo Departamento de Estado.
Mariaca rejeitou as acusações e associou a decisão dos Estados Unidos às “implicações” que algumas investigações levadas a cabo pelo Ministério Público tiveram, tanto dentro como fora da Bolívia, incluindo os processos criminais contra o consultor político argentino Fernando Cerimedo, acusado, entre outras coisas, de uma alegada tentativa de assassinato contra a sua ex-companheira.
Em outubro de 2024, Mariaca foi eleito procurador-geral da Bolívia para um mandato de seis anos pelo anterior Parlamento, no qual detinha a maioria o então partido no poder, o Movimento para o Socialismo (MAS), partido dos ex-presidentes Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).
O Parlamento boliviano tem agendada uma sessão na próxima segunda-feira para analisar as informações enviadas pelos Estados Unidos e a eventual constituição de uma comissão para investigar essas acusações.
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