“A violência baseada no género constitui um grave problema social que devemos enfrentar e vencer nas famílias, nas comunidades, nas escolas, nos locais de trabalho ou em qualquer espaço da nossa sociedade. E temos que envolver os homens nesta luta”, afirmou o Presidente moçambicano, Daniel Chapo.
O chefe do Estado falava em Maputo, na abertura da VIII Conferência Nacional sobre Mulher e Género, que reúne, durante dois dias, instituições nacionais, parceiros internacionais e regionais para promover um diálogo nacional de alto nível.
Na ocasião, Chapo disse que para alcançar o objetivo, o Governo vai continuar a implementar os programas de financiamento a iniciativas empreendedoras de mulheres, visando fortalecer os mecanismos de proteção de mulheres e a permanência das raparigas na escola, defendendo que este é o caminho para reduzir as desigualdades de género e combater a pobreza.
“Por isso, reiteramos o apelo às famílias, às comunidades, aos líderes tradicionais religiosos, às escolas, aos órgãos de Justiça, às forças policiais, à sociedade civil, aos meios de comunicação social, aos nossos amigos que estão aqui, aos homens, principalmente, e raparigas, façamos da violência zero uma causa nacional”, apelou o Presidente da República.
“Empoderar a mulher significa aumentar o seu rendimento, significa aumentar a sua liberdade, permitir-lhe decidir sobre recursos que produz, reforçar a sua voz dentro da família e da comunidade.Por isso, como governo, continuaremos a investir na formação profissional da mulher, no emprego, no empreendedorismo, no acesso à terra, na inclusão financeira, nos mercados, na tecnologia e nas cadeias de valor”, prometeu Chapo.
Os dados apresentados pelo chefe do Estado indicam que, só em 2025, o sistema nacional de educação alcançou mais de 9,7 milhões de alunos, dos quais 49,4% eram raparigas, mantendo o país próximo da paridade de acesso à educação.
No setor da saúde, avançou, a cobertura de partos institucionais atingiu 90,7% no ano passado, o acesso à Justiça evoluiu de 37% em 2024 para 40,4% em 2025, o acesso aos recursos produtivos e programas de financiamento alcançaram 41,6%, resultando em mais de 10 mil títulos individuais para o uso e aproveitamento da terra, em 2025, além de 39,2% dos deputados no parlamento e 30% de membros do Governo serem mulheres.
Para o chefe do Estado, estes números representam avanços na proteção da mulher, mas há ainda caminho a percorrer.
Na mesma ocasião, Chapo disse que Moçambique acolhe a iniciativa da União Africana para a Inclusão Financeira e Económica das Mulheres e Jovens (WYEI 2030), um programa estratégico para promover o acesso a recursos financeiros, tendo pedido a criação de um capítulo nacional de Moçambique no mesmo programa.
O referido capítulo, adiantou, deve ser um instrumento para mobilizar financiamento, criar oportunidades, partilhar conhecimento, aproximar instituições e remover barreiras que impedem mulheres e jovens de participar na economia.
“Pretendemos que esta iniciativa contribua para a constituição e consolidação de uma plataforma nacional de mulher, agregada às organizações de redes existentes, empresárias moçambicanas, produtoras, jovens empreendedoras, instituições financeiras, setor privado, academia, Estado e parceiros”, disse, pedindo ainda a criação de uma rede global com foco na justiça social, violência zero e liberdade da pobreza para as raparigas e mulheres.
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