Numa iniciativa no Largo de Chafariz de Dentro, em Alfama, Lisboa, não muito longe da Rua da Saudade, onde o poeta morou, o secretário-geral do PCP enquadrou estas comemorações do “artista, publicista, declamador, comunista” como “um desafio a todos, para recordar e reencontrar a sua obra”, mas a pensar em especial nas novas gerações.
Segundo Paulo Raimundo, “acima de tudo, são um desafio para as novas gerações, para que conheçam e tomem nas suas mãos cada palavra, cada poema”, e “para que tomem partido, tomem nas suas mãos a militância e um ideal cuja bandeira, como diria Ary dos Santos, subirá sempre mais alto”.
O secretário-geral do PCP, que discursou depois de um momento cultural e de uma breve apresentação de alguns pontos do programa de comemorações, referiu que não se atrevia a tentar adivinhar “que palavras utilizaria hoje Ary para descrever a situação política, social e económica” de Portugal e do mundo.
“Mas arrisco e tenho quase a certeza que é possível imaginar a sua força e a sua acutilância na denúncia de um país submisso nas mãos e ao serviço dos grupos económicos. Arrisco imaginar a sua indignação face às injustiças crescentes de uma sociedade com 300 mil crianças na pobreza e que ao mesmo tempo produziu 6 mil novos milionários”, declarou, a seguir.
Paulo Raimundo imaginou ainda como o poeta e militante do PCP reagiria contra as dificuldades no acesso à saúde e à habitação e “a forma mordaz como desmantelaria a demagogia, a mentira e a hipocrisia dos novos velhos charlatães, e denunciaria a loucura da guerra e do militarismo”.
“Arrisco imaginar a sua paixão, a sua alegria, o fervor nas palavras que só ele encontraria para descrever a grandiosidade, a importância e significado social, político e ideológico da vitória da luta dos trabalhadores com a derrota do pacote laboral”, acrescentou.
O secretário-geral do PCP recordou Ary dos Santos como “poeta, letrista, publicista, amigo, companheiro, camarada” e defendeu que “a sua obra não é do passado”, mas “sim deste presente que hoje constrói o futuro”.
O PCP vai celebrar os 90 anos do nascimento de Ary dos Santos (1936-1984), desde logo, na 50.ª edição Festa do Avante, no início de setembro, em vários espaços do recinto. O programa de comemorações vai-se estender até abril do próximo ano, sob o lema “Poeta da Revolução”.
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