Antes da sessão de encerramento do debate sobre o estado da nação, na Assembleia da República, a líder parlamentar comunista, Paula Santos, subiu à tribuna de oradores para criticar o Governo por tornar o acesso à saúde “mais difícil e o acesso à habitação uma miragem, apontando aos inquilinos a porta para a rua”.
Mas as críticas de Paula Santos incidiram também no setor da educação, a propósito dos exames nacionais no ensino secundário.
“Não bastava os alunos sem professor a todas as disciplinas, o Governo conseguiu ainda a proeza de introduzir um novo problema no final deste ano letivo com os exames nacionais, gerando incerteza na vida dos jovens que terminam agora o ensino secundário”, declarou.
Paula Santos afirmou, ainda, o que o Governo “ataca os mais pobres, responsabilizando-os pela sua situação de pobreza e reduz o apoio e seus beneficiários com a prestação social única”.
“Abandona as populações e as regiões afetadas pelas tempestades. Nada disto é por acaso. Tudo isto é consequência da política de direita de PSD e CDS, que tem contado com o apoio da IL e do Chega, com a viabilização do PS. É o resultado de opções políticas de um Governo fragilizado e cada vez mais isolado”, sustentou.
A seguir, a dirigente do Livre Filipa Pinto concentrou as suas críticas no setor da educação, lembrando que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse que tinha toda a confiança no ministro Fernando Alexandre.
“À luz de toda a confusão que se conhece neste momento, faz um balanço positivo desta pseudo transição tecnológica – o processo amador e irresponsável de digitalização manual feita em Lisboa de mais de 300 mil exames?”, perguntou dirigindo-se a Luís Montenegro.
Filipa Pinto sugeriu depois que, neste processo, não foram ouvidos professores, diretores e técnicos, “nomeadamente das entidades que foram extintas na tão anunciada reforma do Estado”.
“E embarcou neste experimentalismo megalómano após os cortes nas estruturas do Ministério da Educação. Na quarta-feira, o primeiro-ministro acusou os professores de resistirem à mudança, culpando-os do caos neste processo. Mas os professores são pessoas conscientes e sabem que 166 mil alunos não podem ser as cobaias do experimentalismo do Ministério da Educação”, contrapôs a dirigente do Livre.
Segundo Filipa Pinto, o ministro da Educação disse várias vezes, publicamente, que o processo de exames nacionais estava controlado.
“Pois, eu digo-lhe, este Governo bateu no fundo em matéria de educação. E por várias razões: falhou a plataforma, falhou o planeamento, falhou a preparação e falhou a implementação do processo. Falharam prazos e resta saber se não vão falhar as notas dos alunos”, acrescentou.
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