Perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, a diretora da divisão para a Europa, Ásia Central e Américas do Departamento de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Kayoko Gotoh, afirmou que os ataques russos contra portos e navios mercantes voltaram a colocar em risco a estabilidade dos mercados internacionais.
Segundo a responsável, nas últimas semanas a Rússia atingiu infraestruturas portuárias em Odessa e Chornomorsk, no Mar Negro, entre outros locais.
Só em Odessa, registaram-se este mês mais de meia dúzia de ataques contra embarcações civis, que provocaram mortos e feridos entre 44 tripulantes, informou Gotoh.
A maioria dos navios atingidos transportava produtos alimentares e navegava sob bandeiras de países terceiros, situação que, segundo a ONU, representa uma ameaça às cadeias internacionais de abastecimento.
A responsável acrescentou que os ataques russos atingiram igualmente infraestruturas da indústria alimentar ucraniana, destruindo maquinaria agrícola e culturas.
Antes da invasão russa, em 2022, a Ucrânia era responsável por cerca de 10% das exportações mundiais de trigo, 15% das de milho e 13% das de cevada, segundo dados da Comissão Europeia.
Por seu lado, Kiev intensificou os ataques contra a logística marítima russa e embarcações ligadas à Rússia, incluindo petroleiros.
“Mais de 100 embarcações foram atingidas no Mar de Azov em julho, o que levou à imposição de restrições à navegação nesta região”, afirmou Gotoh.
A responsável citou ainda dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), segundo os quais o preço internacional do trigo aumentou 20% desde o início de julho, atingindo o nível mais elevado desde março de 2014.
Perante esta evolução, as Nações Unidas apelaram ao fim das hostilidades e de todas as ações militares que coloquem em risco a navegação civil e o comércio marítimo.
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