Uma das notícias que fechou a semana no panorama nacional foi a mudança de estratégia que está a decorrer no Livre, que, com o congresso em julho, mostra que o plano afasta Rui Tavares do cargo de co-porta-voz.
Nesta senda, Rui Tavares deu uma entrevista à TSF e ao Jornal de Notícias, na qual fala do futuro e dá conta de que “numa equipa, nós temos que olhar para ela de acordo com a estratégia que queremos implementar e de acordo com a leitura de jogo que temos”.
“Faz sentido saber quem é que são os pontas de lança, saber quem é que é distribuidor de jogo, saber quem é que são os alas, o trinco e por aí fora”, referiu, dando conta de que as alterações anunciadas fazem a “equipa certa para a próxima etapa da estratégia”, com a “ampliação” na mira. “Queremos um partido que cresça para fora, que tenha como horizonte os 10% neste ciclo eleitoral que vamos ter a seguir”, referiu.
Rejeitando a ideia de que o partido tem apenas uma fugira principal, Tavares destacou a importância de Isabel Mendes Lopes, atual líder parlamentar, “e que na configuração de lista que apresentámos continua a apresentar-se como candidata a co-porta-voz”.
“O que acontece é que, pela primeira vez na história do partido, tivemos a transparência de apresentar a lista já com a designação das funções que queremos”, detalhou, apontando para o que surge de novo, como Jorge Pinto: “E aí sim há novidades, o Jorge Pinto como co-porta-voz, lá está, a tal dupla de pontas de lança, e eu numa função que é de estratégia – um pelouro novo de estratégia que criámos – comunicação e formação. O que significa que, dentro da estratégia, a formação de lideranças é aquilo que estamos a fazer”.
“A Esquerda vai precisar de uma nova geração de lideranças jovens, de lideranças locais, de lideranças, de quadros que venham de todas as trajetórias do país, e essas estão a formar-se no Livre e é isso que o Livre vai dar ao país”, considerou.
Temos que reinventar o plano de jogo que queremos e para isso eu acho que é necessário este trio de ataque
Sublinhando que pretende manter o mandato até ao fim da legislatura, em 2029, reforçou o papel que continuará a ter dentro do partido, cuja liderança é coletiva. “Portanto, o que nós temos aqui é de certa forma um trio de ataque para derrotar a extrema-direita e na verdade nós precisamos, porque de outra forma a jogar o jogo que nos querem impor nós não chegamos lá. Nós temos que reinventar o plano de jogo que queremos e para isso eu acho que é necessário este trio de ataque”, afirmou.
A informação deste abandono da liderança foi conhecida na sexta-feira, constando esta mudança da da moção estratégica da lista A. Segundo o documento a que a Lusa teve acesso, Tavares mantém-se como deputado, mas será substituído ao cargo pelo antigo candidato presidencial Jorge Pinto.
Enquanto Pinto surge em 2.º lugar, Isabel Mendes Lopes, atualmente co-porta-voz ao lado de Rui Tavares, surge em primeiro. Ambos são candidatos, em dupla, ao cargo de porta-voz, definido nos estatutos do Livre como rotativo.
Rui Tavares, fundador e porta-voz do Livre desde 2022 e a principal figura do partido, figura em terceiro na lista e na moção propõe-se a ficar na direção com o “pelouro da estratégia, comunicação e formação”.

Rui Tavares abandona liderança do Livre. Jorge Pinto será sucessor
O porta-voz do Livre Rui Tavares vai deixar a liderança do partido, mantendo-se como deputado, mantendo-se na lista à direção no congresso de julho, com Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto a avançarem em candidatura conjunta ao cargo de porta-vozes.
Ana Teresa Banha com Lusa | 10:37 – 26/06/2026



