O número de vítimas mortais no trágico incêndio de Almería, em Espanha, voltou a subir. São agora 12 as pessoas que perderam a vida devido às chamas que atingem este município da Andaluzia.
Segundo o El País, que cita o presidente da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, o número de desaparecidos também aumentou. São agora 23 as pessoas cujo paradeiro é desconhecido.
Conta o jornal do país vizinho que a vítima mortal contabilizada agora foi descoberta na mesma zona onde outras sete pessoas foram encontradas mortas ao início da manhã desta sexta-feira, 10 de julho.
Além destas sete pessoas, outras quatro foram encontradas já sem vida dentro de um carro.
A maioria das vítimas foi encontrada numa aldeia pertencente ao município de Bédar, em Los Gallardos.
Juan Manuel Moreno acredita que “o incumprimento das recomendações provavelmente levou a este número de vítimas mortais”, por isso apela à população que cumpra o indicado pelas autoridades.
O mais provável, segundo o responsável político, é que estes sejam estrangeiros, que tentaram sair da zona “por uma rota diferente da rota de evacuação designada” e foram surpreendidos pelas chamas.
Juan Manuel Moreno informou ainda que “23 pessoas continuam desaparecidas e que quatro estão gravemente feridas”, além de vários feridos ligeiros.
As investigações iniciais ao fogo, que está já a ser apontado como o maior alguma vez registado na região de Almería, indicam que chamas tenham origem na queda de um cabo elétrico, de um restaurante abandonado.
Entretanto, com o calor e vento que se faz sentir no local, o incêndio florestal transformou-se numa tragédia sem precedentes para a região do sul de Espanha e num dos mais graves do país.
“Esperamos que os desaparecidos estejam em refúgios”
Juan Manuel Moreno espera agora que o número de mortos não seja ainda maior. “Esperamos que as pessoas que ainda estão desaparecidas estejam em abrigos ou refúgios”, declarou.
O chefe do Executivo da Andaluzia explicou que as operações de busca começaram na região Norte, onde o incêndio está atualmente sob controle, para localizar possíveis vítimas.
Entretanto, Moreno afirmou ter solicitado “cooperação e colaboração máxima” ao Rei e ao presidente do governo espanhol Pedro Sánchez, que, por agora, está a ser cumprida”.
Durante a mesma declaração, o presidente da Andaluzia mostrou-se pessimista quanto ao avanço do incêndio, especialmente devido ao “terreno muito difícil, onde máquinas pesadas não conseguem chegar”.
“Para já, a situação não é boa, pois as condições pioram por volta das 16h. Já retiramos as pessoas das zonas que podiam ser afetadas, caso o vento mude”, contou.
Incêndio de Almería já está entre os mais mortíferos da Europa
Como notou a a agência Lusa hoje, o fogo em Almería está já entre os mais mortíferos da Europa, após as tragédias que ocorreram na Grécia, em 2018, e em Portugal, em 2017.
O episódio mais grave ocorreu na Grécia, entre 23 e 24 de julho de 2018, quando um fogo florestal devastou as localidades costeiras de Mati e Kokkino Limanaki, nos arredores de Atenas, provocando 104 mortos.
Muitas vítimas ficaram presas em casas e automóveis ou morreram afogadas ao tentarem escapar pelo mar.
O incêndio continua a ser o mais mortífero da Europa em mais de um século e o segundo mais mortal do mundo no século XXI, apenas ultrapassado pelos incêndios do “Sábado Negro”, na Austrália, em 2009, que causaram 173 mortos.
Já Portugal registou a sua pior tragédia em junho de 2017, quando os incêndios na região de Pedrógão Grande causaram 66 mortos, entre os quais 65 civis e um bombeiro.
A maioria das vítimas perdeu a vida na Estrada Nacional 236, onde ficou encurralada pelas chamas no interior das viaturas.
Poucos meses depois, entre 14 e 17 de outubro de 2017, uma nova vaga de incêndios, alimentada pelos efeitos do furacão Ophelia, provocou mais 49 mortos na Península Ibérica, dos quais 45 em Portugal e quatro em Espanha.

Fogo em Almería entre os mais mortíferos da Europa após Grécia e Portugal
O incêndio florestal em curso em Los Gallardos, na província andaluza de Almería, que provocou 11 mortos, figura entre os incêndios mais mortíferos registados em Espanha neste século, embora abaixo das tragédias ocorridas na Grécia e em Portugal.
Lusa | 13:26 – 10/07/2026



