Na queixa, apresentada na terça-feira e com 44 páginas, lê-se que o ex-presidente mobilizou uma unidade das forças das Forças de Ação Especial (FAES), para executar as vítimas entre 2017 e 2020.
Segundo o documento, estas vítimas fazem parte de milhares de pessoas mortas sob o comando daquele ex-chefe de Estado pelas FAES, uma unidade dissolvida após acusações de violações dos direitos humanos, incluindo aquelas que foram levantadas pelas Nações Unidas.
Nicolás Maduro encontra-se atualmente detido numa prisão federal em Nova Iorque à espera de julgamento por um caso de alegado crime de tráfico de drogas, após a sua prisão pelas forças americanas numa operação militar na Venezuela, em janeiro.
Durante a sua presidência, que começou em 2013, Maduro foi amplamente acusado de recorrer à repressão política para se manter no poder.
A queixa de civis, apresentada perante um tribunal federal no Brooklyn, afirma que os alegados assassinatos dos cinco jovens inserem-se num contexto de atuação recorrente de execuções extrajudiciais.
O processo descreve intervenções de agentes que chegavam de manhã cedo aos bairros das vítimas, vestidos de preto, com o rosto coberto, separando os homens das suas famílias antes de os abater.
As autoridades terão depois criado histórias de que as vítimas tinham “resistido à autoridade”.
“Maduro usou as FAES como um instrumento político e um mecanismo de controlo social para reprimir violentamente a dissidência, aterrorizar os bairros populares e eliminar a oposição política”, afirma-se na queixa.
“Na realidade, as FAES são amplamente consideradas como um ‘esquadrão da morte’ ou um grupo de extermínio”, adianta o processo.
As famílias das vítimas, cuja identidade está protegida por razões de segurança, agem com base na lei americana que protege as vítimas de tortura, e pedem uma compensação financeira.
Leia Também: Trump registou marca de produtos para a casa na Venezuela



