“Por vezes, penso que não vale a pena estar sempre a escrever sobre casos e casinhos. Parece que quanto mais se escreve mais eles aparecem. Todavia não consigo calar-me e ficar indignado com tanta desfaçatez.
Recentemente escrevi aqui no Noticias ao Minuto, “Até fico admirado quando passa um dia sem caso de corrupção. Vergonha”.
Agora, escrevo a propósito de Luís Neves, atual ministro da Administração Interna – que foi diretor da Polícia Judiciária e lidou com inúmeros casos de fraude fiscal, falsificação de documentos e aproveitamento indevido de vantagem – e das obras na sua casa no Alentejo.
Não vamos ser líricos ao ponto de achar que o sr. é o único a fazer isto. O que se passou é recorrente com a maioria dos portugueses: se puderem, fogem ao Fisco e pagam sem faturas.
O problema é que este sr. é ministro e tem de dar o exemplo. Quem está na política tem de ser exemplar e imaculado. Se não o for, tem de mudar de vida.
Sendo ministro e tendo sido diretor da PJ não podia e não devia ter cometido este erro de palmatória. O que me interessa é o seguinte: “Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.” É a desculpa perfeita para a hipocrisia ou para a falta de coerência entre as palavras e as ações.
Diria parafraseando Medina Carreia: “Quem está no poder perdeu a VERGONHA”. E, quando assim é, não há nada a fazer.
Dalai Lama, no livro Conselhos do Coração, escreve sobre os que se dedicam à política: “Há políticos que antes de serem eleitos têm intenções perfeitamente puras. Mas, uma vez em funções, tornam-se uns convencidos e esquecem rapidamente o objetivo que tinham fixado.”
A ideia que eles têm de si é a de serem pessoas boas, que protegem os seus eleitores e desempenham um papel indispensável. Em contrapartida, imaginam que têm o direito de se permitirem a certos caprichos e de fazerem tudo o que querem, sem que ninguém tenha nada a dizer.
Mesmo que cometam atos repreensíveis, acham que não é grave, tendo em conta a dedicação com que cumprem a sua tarefa.
É assim que acabam por se deixar corromper facilmente. Quando detemos a força e o poder, devemos estar duplamente vigilantes.
Hoje em dia as pessoas têm pouca confiança nos políticos. É triste. Dizem que a política é «suja».”
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