A agência de notícias francesa dá conta de que a mina, perto da fronteira com o Egito, no norte do Sudão, começou a desmoronar-se no sábado.
Após operações de salvamento, que se prolongaram durante a noite, “foram encontrados dez corpos hoje de manhã e foram regastados 21 mineiros feridos” revelou à AFP um dos sobreviventes que trabalhava na mina quando ocorreu o acidente e que não se quis identificar.
Outro sobrevivente indicou que foram os próprios mineiros a realizar o resgate, com o pouco equipamento disponível.
Já na terça-feira, uma outra mina tinha desabado na região de Kordofan, no Sul, provocando 82 mortos.
A região está sob o controlo da força paramilitar Forças de Apoio Rápido, que trava uma guerra contra as Forças Armadas do país há mais de três anos.
Num país onde, de acordo com a ONU, cerca de 20 milhões de pessoas enfrentam atualmente uma situação de insegurança alimentar aguda, muitos jovens lançaram-se numa perigosa corrida ao ouro, principalmente em minas artesanais onde os acidentes são frequentes devido à precariedade das instalações e à falta de medidas de segurança.
Segundo responsáveis sudaneses e fontes do setor mineiro, quase todo o ouro que sai do Sudão por vias oficiais ou redes paralelas acaba nos Emirados Árabes Unidos — acusados de armar os paramilitares, o que Abu Dhabi nega, apesar das provas apresentadas em numerosos relatórios internacionais.
Em julho, o Reino Unido e a Europa anunciaram sanções contra o comércio de ouro sudanês para limitar as fontes de financiamento do conflito.
Leia Também: Pelo menos 67 pessoas morreram no desabamento de mina de ouro no Sudão



