O próximo Campeonato Mundial de Futebol será organizado por Portugal, Espanha e Marrocos e tem data marcada para entre 8 de junho e 21 de julho de 2030. No entanto, apesar de ainda faltar quatro anos, já está envolto em polémica e há partidos a pedir que o evento não seja organizado com Marrocos devido à crise migratória em Ceuta.
Em Portugal, o Livre enviou uma carta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, apelando a que manifeste publicamente a oposição do Governo português “à manutenção de Marrocos como país parceiro para o Campeonato Mundial de Futebol em 2030”.
“Percebendo a sensibilidade do assunto, esperamos que a diplomacia e contacto com a Real Federación Española de Fútbol e o governo espanhol seja feita tão rapidamente quanto possível, de modo a tomar uma decisão que não impacte a organização do campeonato e o papel organizativo de Portugal e Espanha”, referem os deputados do Livre.
Antes, o porta-voz do Livre Jorge Pinto tinha defendido a mesma posição numa publicação nas redes sociais, na qual pedia que os portugueses não ficassem “tristemente associados à organização com um país que mostrou não ter capacidade nem dar confiança”.
O Livre leva agora diretamente o assunto ao primeiro-ministro, considerando que se tornou “insustentável a participação de Marrocos” na organização do próximo campeonato mundial de futebol, juntamente com Portugal e Espanha.
“Ao desrespeito do direito internacional para o qual o Livre tem vindo a alertar – como as décadas de violações sistemáticas por parte do regime marroquino dos Direitos Humanos do seu próprio povo ou a negação da autodeterminação e repressão violenta do povo saarauí e o não cumprimento da realização do referendo de autodeterminação – adiciona-se, mais recentemente, a instrumentalização de cidadãos marroquinos em Ceuta, inclusivamente de jovens, mulheres e crianças para um ataque às fronteiras com Espanha, com consequências trágicas”, afirma.
Já em Espanha, o partido Sumar pediu também que Marrocos seja afastado organização conjunta do Mundial, invocando violações de direitos humanos na sequência da entrada massiva de migrantes na fronteira de Ceuta.
Através de uma moção não vinculativa, os quatro deputados signatários – três dos quais pertencentes à Esquerda Unida – instaram o governo espanhol a comunicar formalmente à FIFA, à federação espanhola e ao Executivo português a necessidade de rever o modelo de organização conjunta da competição.
Na proposta, o Sumar argumentou que um evento desta dimensão implica uma significativa mobilização de recursos públicos e compromissos assumidos pelos Estados, exigindo dos países anfitriões um “respeito efetivo e contínuo pelos direitos humanos, pelo direito internacional e pelos princípios democráticos”.
No documento, o grupo parlamentar exigiu ainda a realização de um estudo independente sobre os riscos para os direitos humanos nos países anfitriões, a apresentar ao Congresso no prazo de seis meses, acompanhado de propostas de ação caso se confirmem violações graves.
Sublinhe-se que, além da organização em Portugal, Espanha e Marrocos, o Mundial de 2030 incluirá também três jogos comemorativos no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, assinalando o centenário da primeira edição da prova, disputada em Montevidéu, em 1930.

FIFA desmente suborno de Infantino a Marrocos para apoio a recandidatura
O presidente da FIFA continua a ser alvo de várias polémicas e a mais recente está relacionada com o facto de ter prometido a Marrocos a final do Mundial2030 a troco de apoio na recandidatura à presidência do organismo.
Mafalda Ferreira Costa, Lusa | 18:48 – 05/08/2026



