Um engenho explosivo artesanal transportado por “uma desconhecida” provocou a morte de pelo menos três pessoas e feriu outras 21, diante de um restaurante de luxo no centro de Moscovo, na Rússia, na noite de sábado. Afinal, o que aconteceu?
A explosão ocorreu nas imediações da Praça Kudrinskaya, cerca das 20h10 locais (18h10 em Portugal continental), onde se situa um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, o imponente arranha-céus projetado por Mikhail Posokhin durante o período estalinista.
Segundo as autoridades, entre as vítimas mortais está a alegada autora do ataque, que terá acionado o engenho explosivo quando um segurança tentou impedir a sua entrada no estabelecimento, que estava encerrado para um evento privado. O Comité Nacional Antiterrorismo da Rússia (NAK) assinalou que a mulher, o segurança e um cliente do restaurante italiano morreram instantaneamente na explosão.
Entretanto, duas pessoas que tinham sido levadas para um hospital terão sucumbido aos ferimentos, este domingo, elevando o número de mortos para cinco, de acordo com a REN TV. O mesmo meio adiantou que seis pessoas continuam em estado grave, embora não haja confirmação oficial para ambas as informações.
O presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobianin, considerou que a explosão se tratou de um “hediondo ato terrorista”, este domingo.
“Ontem [sábado] foi cometido em Moscovo um hediondo ato terrorista que custou vidas humanas. Os feridos encontram-se atualmente nos hospitais da cidade, onde estão a receber toda a assistência necessária”, escreveu Sobianin nas redes sociais, citado pela agência de notícias Europa Press.
Segundo o autarca, as autoridades já estão a investigar o sucedido e “os responsáveis serão inevitavelmente encontrados e receberão o castigo que merecem”.
A editora-chefe do canal de televisão RT, Margarita Simonyan, anunciou, também este domingo, que entregará o prémio em nome de Tigran Keosayan, no valor de um milhão de rublos (cerca de 10.930 euros), à família do segurança.
“Ao segurança que ontem [sábado] morreu num restaurante de Moscovo e impediu que um engenho explosivo fosse levado para a Praça Kudrinskaya, entregamos o Prémio Tigran. Recordo que este prémio, no valor de um milhão de rublos, é concedido por mim e pelo Tigran a pessoas que se sacrificam em prol dos outros”, disse, no seu canal do Telegram.
Na ótica de Simonyan, o ato heroico do segurança evitou mais casualidades. “Se ele não tivesse agido assim, teriam morrido muitas mais pessoas”, considerou.
As autoridades não revelaram os nomes das vítimas mortais ou feridas, tampouco de quaisquer suspeitos. Teorias lançadas nas redes sociais, que não foram confirmadas, sugeriram que um alto comandante militar russo seria o alvo pretendido, tendo saído ileso. Além disso, o diário Kommersant noticiou que a mulher poderia não ter conhecimento do que transportava, e que a bomba teria sido detonada remotamente por outra pessoa.
Os bloggers de guerra russos apressaram-se a culpar Kyiv, sem qualquer prova. Até ao momento, a Ucrânia não se pronunciou.
Desde o início da guerra, em 2022, os serviços secretos ucranianos reivindicaram ou foram acusados de vários assassinatos ou tentativas de assassinato de oficiais militares russos e de figuras públicas que apoiam o conflito. A Agência France Presse recordou, a título de exemplo, que, em agosto de 2022, Darya Duguina, filha do ideólogo ultranacionalista Alexandre Douguine, morreu na explosão de um carro em Moscovo. No ano seguinte, em abril, o bloguer militar russo Maxime Fomine morreu na explosão de uma estatueta armadilhada que lhe tinha sido oferecida em palco, num café de São Petersburgo.

Autarca de Moscovo diz que explosão foi “hediondo ato terrorista”
O presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobianin, classificou hoje como um “hediondo ato terrorista” a explosão ocorrida no sábado num café da capital russa, que fez pelo menos três mortos e 21 feridos.
Lusa | 13:38 – 02/08/2026



