Um dos companheiros de cela de Jeffrey Epstein nos últimos tempos da vida do empresário apanhou-o a tentar acabar com ela pelo menos duas vezes. Advogados foram avisados e, entre os alertas, houve guardas que se “riram”.
A informação é avançada num artigo publicado esta terça-feira pela The New York Times Magazine. A publicação falou com o companheiro de cela Nicholas Tartaglione, um antigo polícia condenado por homicídio – mas não só. O Notícias ao Minuto alerta que o conteúdo descritivo a partir daqui pode ser sensível.
Explica este homem que numa das vezes acordou durante a noite e percebeu que Epstein estava a tentar “amarrar um lençol na grade da janela da cela”. Numa outra altura, acordou e viu o empresário “parado no escuro com uma expressão um tanto ou quanto suspeita”.
O artigo da publicação norte-americana refere ainda a nota descoberta em julho de 2019 e cujo conteúdo foi divulgada já este ano. “É um privilégio poder escolher o momento certo para dizer adeus”, lê-se numa das frases escritas no bilhete, que pode consultar na íntegra abaixo e saber mais sobre a sua divulgação aqui.
A US court has released what is believed to be Jeffrey Epstein’s suicide note, Bloomberg reports
According to Epstein’s former cellmate, he found it hidden inside a book.
“They questioned me for a month — found nothing! It’s amazing to be able to choose your own time to say… pic.twitter.com/2TFAKWrhzt
— NEXTA (@nexta_tv) May 7, 2026
Tartaglione revelou ainda que após apanhar Epstein nestas situações, denunciou a situação aos guardas, “que não pareceram levá-lo a sério, rindo-se dele”.
Foi quando encontrou a nota que o colega de cela falou com os seus advogados, já que numa terceira tentativa de tentar tirar a sua própria vida, Epstein acabou por acusar Tartaglione de o ter atacado. Foi após estas acusações que o antigo polícia decidiu falar com os seus advogados, dando-lhes a nota acima citada – que encontrou debaixo do colchão. Com receio de que o empresári o processasse, acabou por entregar o bilhete aos advogados, que falaram com os de Epstein.
Bruce Barket, advogado de Tartaglione, disse ao New York Times que a sua obrigação era “proteger o cliente”.
O novo companheiro: “Ele não devia ficar sozinho”
Epstein ganhou então um novo companheiro de cela, Efrain Reyes, que diz ter implorado ao empresário que não tentasse tirar a sua própria vida, e os dois criaram uma relação de respeito mútuo. Este homem afirmou, no entanto que encontrou uma corda que o magnata estava a fazer com lençóis e que a despejou pela sanita.
Reyes acabou por ser transferido da sua cela, não tendo Epstein recebido um novo companheiro, tal como está previsto no protocolo para detidos que tentem o suicídio, de acordo com o que refere a imprensa.
“Arranjem-lhe um bom companheiro de cela. Ele não devia ficar sozinho”, terá dito Reyes aos guardas prisionais. Na manhã seguinte, a 10 de junho, Epstein foi encontrado morto na sua cela
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