Portugal e Espanha defrontam-se esta segunda-feira, em Dallas, no Texas, e, nas bancadas, a equipa das Quinas contará com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que, desta forma não estará presente na abertura das jornadas da AD. As reações já surgiram e, se Hugo Soares conta que o chefe de Governo possa continuar a ser o “amuleto da sorte”, José Luís Carneiro esperava que o governante “tivesse os pés no país”.
Depois de ter marcado presença nos jogos de Portugal em Houston, na segunda partida da fase de grupos do Mundial – frente ao Uzbequistão -, e em Toronto – nos 16avos de final que opuseram Portugal à Croácia -, Montenegro vai estar, hoje, nos Estados Unidos, para o frente a frente com Espanha (a contar para os oitavos de final) da competição.
As reações não tardaram e, antes de arrancarem as jornadas parlamentares do PSD e CDS-PP, à entrada de uma visita às obras do metro em Lisboa, Hugo Soares afirmou que, “felizmente”, o primeiro-ministro não estará presente – uma vez que vai então assistir ao jogo da seleção nacional de futebol -, dizendo ainda esperar que Luís Montenegro possa continuar a ser o “amuleto da sorte”.
“Felizmente, e digo mesmo felizmente, a nossa seleção nacional, que nos representa a todos, teve ocasião de vencer a Croácia, passar agora para os oitavos de final e o que eu espero é que o primeiro-ministro continue a ser esta espécie de amuleto da sorte”, afirmou o líder parlamentar do PSD.
Hugo Soares desejou que Portugal vença hoje a Espanha e que o chefe de Governo “possa ter que estar outra vez em território norte-americano para acompanhar o jogo dos quartos-de-final”.
“Acho que esse é o desejo de todos os portugueses, menos de alguns invejosos que não entendem importância que tem para o país, para a nossa representação – até para a nossa preparação para organizar, como sabem, também um Mundial daqui a quatro anos, que é também um Mundial tripartido entre os países exatamente como este -, mas sobretudo poder estar com as nossas comunidades lá fora e de poder acompanhar os nossos heróis do mar nesta jornada”, disse.
Questionado se, com o país ainda em situação de alerta em matéria de calor e incêndios, a ausência do território nacional de Montenegro pode ser criticada, Hugo Soares considerou que tal só pode ser feito “por má vontade”.
“O senhor primeiro-ministro está a acompanhar toda a situação, o senhor ministro da Administração Interna está a acompanhar toda a situação, felizmente as coisas estão a correr melhor do que o que se esperava face à onda de calor e à preparação que o Governo e as entidades próprias tiveram para esta ocasião”, apontou.
Hugo Soares acrescentou não ter ouvido “uma crítica” à presença no domingo, no jogo da Noruega com o Brasil, “estar a família real em peso no estádio e depois irem ao balneário cumprimentar os jogadores”, numa comparação com as críticas de que foi alvo Montenegro.
“Há alguns comentadores que têm que encontrar sempre alguma coisa para dizer. Talvez não gostem do futebol, mas se não gostarem do futebol, ou forem daqueles queques que acham que o futebol é para o povo, eu quero mesmo dizer: nós somos do povo, nós gostamos do futebol e entendemos que a seleção nacional é a nossa representação maior do ponto de vista do espetáculo desportivo“, disse.
Montenegro no Mundial? Esperava que “tivesse os pés no país”
Em contraponto, José Luís Carneiro considerou ser incompreensível que o primeiro-ministro esteja fora do país para assistir ao Mundial, numa altura em que o continente português se encontra em situação de alerta devido aos incêndios.
Em declarações aos jornalistas, no Funchal, sobre a situação dos exames nacionais, José Luís Carneiro disse que esperava que Luís Montenegro “tivesse os pés no país”, acrescentando que é também “incompreensível que, numa altura em que o Estado decretou a situação de alerta” esteja “fora do país para assistir ao futebol”.
José Luís Carneiro referiu que, em 2022, o então primeiro-ministro socialista, António Costa, e o na altura Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cancelaram uma deslocação oficial a Moçambique numa altura crítica de incêndios.
O secretário-geral do PS acrescentou que “não apenas é grave não estar cá na altura em que o país está em situação de alerta, como é grave também que o primeiro-ministro não tenha uma palavra, um pedido de desculpas às famílias e, tão importante como o pedido de desculpas, explicar às famílias o que é que está a ser feito para garantir a confiabilidade e a segurança nos termos em que os alunos são avaliados para efeito de candidatura ao Ensino Superior”.
Ida de Montenegro a Toronto já tinha sido criticada por Chega e IL
Como já referido, Luís Montenegro assistiu ao segundo jogo da seleção na fase de grupos em Houston, nos Estados Unidos da América, contra o Uzbequistão, e ao último contra a Croácia, que decorreu em Toronto, Canadá, no passado dia 1.
Esta última presença foi criticada pelo Chega e pela IL, que visaram o chefe do Executivo por ter estado fora do país numa época crítica dos incêndios.
De lembrar que o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, esteve no jogo de estreia de Portugal no Mundial de 2026, frente à República Democrática do Congo, que terminou 1-1, realizado em Houston, enquanto o Presidente da República, António José Seguro, marcou presença no terceiro jogo da seleção, contra a Colômbia, que terminou empatado a zero e realizou-se em Miami, também nos Estados Unidos.

“Numa altura em que o país arde, Montenegro está em Toronto no futebol”
Os deputados Pedro Pinto, do Chega, e Rui Rocha, da IL, criticaram hoje a ausência do país do primeiro-ministro numa época crítica dos incêndios para assistir ao jogo da seleção nacional no Mundial de futebol, no Canadá.
Lusa | 15:25 – 03/07/2026



