Luís Montenegro respondeu hoje durante hora e meia, por videoconferência a partir da sede nacional do PSD, a perguntas feitas pelos participantes na Universidade de Verão do partido, iniciativa de formação política de jovens.
O chefe do Governo reiterou o compromisso de não fazer qualquer alteração na atual legislatura nesta área e que “se algum dia propuser essa transformação estrutural, será na base de um compromisso” assumido com o povo português antes das próximas eleições.
“O meu desejo era que nós pudéssemos ter um entendimento nacional para que, independentemente da força política que ganhasse as eleições, todos se comprometessem a executar a transformação estrutural que dá sustentabilidade a este sistema”, afirmou.
Montenegro admitiu que para esse entendimento será necessário “partir muita pedra”.
“Precisamos de discutir soluções, precisamos de discutir fontes de financiamento, para depois concluirmos se vale a pena mudar por aqui, se vale a pena mudar por ali, com que conteúdo e com que previsão temporal”, afirmou.
Esta foi a primeira vez que um presidente do PSD responde a perguntas dos “alunos” da Universidade de Verão do PSD.
As respostas de Montenegro começaram com meia hora de atraso em relação ao inicialmente previsto, justificado com a reunião semanal com o Presidente da República, António José Seguro.
O chefe do Governo respondeu a dez perguntas dos jovens participantes, duas das quais abordaram o tema da Segurança Social, começando por defender que a sua sustentabilidade se garante, em primeiro lugar, através da criação de riqueza.
“É nossa obrigação – de todos – garantir que o sistema funciona e é sustentável hoje, para aqueles que aqui estamos, mas não vai ser penalizador para aqueles que aqui estarão a seguir a nós, as próximas gerações”, disse.
Perante os jovens, voltou a repetir que se demitiria se um dia tivesse de cortar “um cêntimo” nas pensões a pagamento e retomou uma expressão usada também recentemente pelo Presidente da República.
“Quero aqui, já agora, a talho de foice, reafirmar que para nós e para mim pessoalmente as pensões são sagradas”, disse.
Montenegro justificou que, nesta área, os consensos são essenciais, porque “este é um domínio onde não é a vontade de um Governo que vai imperar”.
“O que vai imperar é a responsabilidade de uma geração, a nossa. É nós podermos entender, independentemente da nossa filiação partidária, independentemente de estarmos no poder ou na oposição, sobre aquilo que vamos deixar para as próximas décadas. Não é para o nosso tempo, é para as próximas décadas”, reforçou.
O chefe do Governo frisou que a obrigação de deixar um sistema sustentável “não pode ser apenas uma proclamação”, ou conseguido por decreto.
“Eu fico desiludido por aquilo que se diz: que este governo, o PSD, quer privatizar a segurança social, quer acabar com a segurança social. Isso é tudo conversa. Isso é conversa que já ninguém acredita”, considerou, dizendo haver “provas suficientes” de que a intenção do Governo é a contrária.
A 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação política de jovens, começou na segunda-feira e decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre), com o encerramento presencial por parte do presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro.
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