O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, considerou, esta terça-feira, que a moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega não se prendia verdadeiramente com os casos que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, ao mesmo tempo que assinalou que o partido encabeçado por André Ventura encenou um “espetáculo degradante […] de quem não aceita um resultado democrático e se põe a patear”, o que “é uma coisa típica de atores políticos subversivos, radicais”.
Na ótica do governante, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não desvalorizou as suspeitas que recaem sobre o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), tendo em conta que “pronunciou-se e disse que tinha confiança no ministro”.
“Da minha perspetiva, sobre a discussão relativamente ao Governo, o assunto está nesse plano decidido por quem tem autoridade e a quem nós todos devemos a confiança”, disse, em entrevista à CNN Portugal.
Apesar de ter realçado que o chefe do Executivo manifestou por diversas vezes “a convicção e a confiança que tinha nas funções do ministro”, Leitão Amaro confessou que, a seu ver, “esta moção de censura não foi sobre esse caso, nem foi sobre o ministro”.
“Quando justificou a moção de censura, André Ventura dizia que queria proteger as instituições. Proteger as instituições com aquele espetáculo degradante que ofereceram hoje, de quem não aceita um resultado democrático e se põe a patear, é uma coisa típica de atores políticos subversivos, radicais”, expôs.
Novamente questionado quanto ao que falta fazer para estancar os casos e casinhos que assombram Luís Neves, o responsável reiterou: “O primeiro-ministro tem confiança no ministro da Administração Interna e entende que ele está a fazer um grande trabalho, e acho que há vários indicadores que demonstram isso mesmo.”
Leitão Amaro frisou, nessa linha, que os ministros que compõem o Governo de Montenegro estão “preocupados em responder aos problemas dos portugueses” e acordam “cada dia a pensar no que é que o país precisa”. Exemplo disso foram as medidas anunciadas esta tarde pelo primeiro-ministro, que contemplam a atribuição de “um suplemento extraordinário aos pensionistas, de forma progressiva, até 1.611,13 euros”, assim como a “redução do IRS até ao sexto escalão, no valor de 400 milhões de euros”.
Recorde-se que a moção de censura ao Governo, que visava levar à demissão do ministro da Administração Interna, foi chumbada com 104 votos contra (PSD, IL, Livre, PAN) e 60 a favor (Chega), tendo sido também contabilizadas 62 abstenções (BE, PCP, JPP e PS).
Após a divulgação do resultado, os parlamentares do Chega ecoaram “demissão”, durante cerca de dois minutos. O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, esclareceu inclusive que não interrompeu a sessão porque era essa a pretensão do partido de André Ventura. “Comigo, o Parlamento funciona sempre”, asseverou.
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