José Luís Carneiro comentou, na manhã deste sábado, o caos que tem envolvido os exames nacionais, atualmente com a polémica acerca da afixação das notas. Para o secretário-geral do PS, Fernando Alexandre não assume a sua responsabilidade, sendo que “um ministro que não assume as suas responsabilidades deixa de ser ministro”.
“Isto só tem um responsável: o primeiro responsável por se ter avançado de forma imprudente para este processo é o primeiro-ministro, na medida em que o ministro da Educação não assume qualquer responsabilidade. Não o fez na Assembleia da República, não o fez no debate parlamentar e julgo que até, por vezes, parece cantar vitória com um processo que foi mal sucedido, mas pelo facto de conseguirmos chegar ao fim, o alívio é de tal ordem que parece que se chegou ao fim em condições”, afirmou em declarações aos jornalistas em Fafe, no distrito de Braga, à entrada para um encontro com autarcas e jovens do concelho.
“Chegou-se ao fim com muitos prejuízos graves para as famílias, para os professores, para as escolas e para o prestígio da avaliação”, considerou.
Lembrando que na próxima terça-feira o ministro estará no Parlamento, na Comissão de Educação, José Luís Carneiro frisou que Fernando Alexandre terá de “dizer à Assembleia aquilo que não disse no dia 1 de julho”. “No dia 1 de julho procurou desvalorizar o assunto”, considerou.
A Comissão “tem condições para ouvir todas as entidades para não perdermos tempo”, uma vez que uma eventual Comissão de Inquérito “remete-nos para setembro”. “A Comissão de Inquérito demora muito tempo a pôr em prática, a Comissão de Educação pode ouvir todas as entidades que tenham uma palavra a dizer”, vincou ainda o secretário-geral do PS, acrescentando que, “contudo, não colocamos de fora – como sempre afirmei – a realização de uma Comissão de Inquérito”.
Já questionado sobre se Fernando Alexandre tem condições para continuar, Carneiro foi taxativo: “Já disse ontem que, se eu fosse primeiro-ministro, eu próprio quando ocorreram os primeiros sinais do que estava a acontecer teria tido a responsabilidade chamar o ministro e os secretários de Estado, sentá-los em torno de uma mesa com todos os responsáveis de todos os serviços para saber o que se estava a passar.”
Mas, “não foi isso que fez o primeiro-ministro”. “O primeiro-ministro foi para o Mundial de futebol, quando veio do Mundial de futebol foi para um festival de música e procurou desvalorizar um assunto grave na vida das famílias“, apontou ainda o socialista.
E reiterou: “Quando um ministro não responde pela responsabilidade política que lhe está atribuída, então significa que só mesmo o primeiro-ministro pode responder por essa responsabilidade. E é o primeiro-ministro que tem de dizer se quer manter os ministros que não assumem as responsabilidades. Já tínhamos uma – que era a ministra da Saúde – agora temos também um que é o da Educação.” “Não assumem as suas responsabilidades.”
“Um ministro que não assume as suas responsabilidades, deixa de ser ministro, mesmo que lá esteja”, vincou José Luís Carneiro. “Mesmo que esteja com o papel de ministro, deixou de o ser porque não assume as responsabilidades que lhe foram confiadas quando assumiu a sua posse. Porque quando assume a sua posse, faz um juramento. Quando alguém não cumpre esse juramento, já não está a cumprir”, reiterou.
Carneiro insta Montenegro a revelar quantos alunos têm notas suspensas
O secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, instou, na mesma ocasião, o primeiro-ministro a revelar quantos alunos estão com as classificações suspensas e a garantir que ninguém será prejudicado na candidatura ao Ensino Superior.
Carneiro referiu que, segundo informações que lhe têm sido reportadas, “podem ser alguns milhares” os alunos que estão com a nota suspensa.
“O primeiro-ministro, neste momento, tem de responder a esta pergunta que eu lhe estou a fazer hoje: quantos alunos é que estão, neste momento, com as classificações suspensas e o que é que vai fazer para garantir que nenhum destes alunos é prejudicado na candidatura ao Ensino Superior“, apontou.
Segundo José Luís Carneiro, poderão estar na calha “momentos ainda mais críticos do que aqueles que se viveram até hoje” no processo da correção dos exames.
“Há ainda muitas situações de muita dificuldade que poderão vir a seguir, que têm a ver com o número de alunos que vai pedir revisão de prova, o que significa que, se esse número for um número muito elevado, poderemos vir a viver momentos ainda mais críticos do que aqueles que se viveram até agora”, sublinhou.
Recorde-se que as notas dos exames nacionais não foram afixadas na totalidade, na sexta-feira, apesar das advertências e dos apelos da tutela. Entretanto, o Ministério da Educação anunciou que o EduQA/JNE prestará explicações este sábado quanto às “situações dos alunos com a menção ‘suspenso’ nas pautas”.
[Notícia atualizada às 12h30]
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