“As autoridades solicitam ajuda urgente, alertando que centenas de milhares de pessoas enfrentam dificuldades crescentes, incluindo mais de 570 mil que necessitam de água e 1,5 milhões que necessitam de alimentos”, sublinhou a agência da ONU, citada pela agência espanhola de notícias, a Efe.
Várias regiões do norte continuam a sofrer uma grave seca na sequência de uma escassa estação das chuvas de Gu (de abril a junho), entre as quais Sanaag, Bari, Nugaal, Sool e Mudug, bem como as zonas agropastoris de Togdheer, precisou a OCHA no seu último relatório sobre a situação no país, relativo ao mês de junho, no qual dá conta que 250 mil pessoas estão a ser “gravemente afetadas” pela seca, especialmente em zonas costeiras e remotas
O preço da água quadruplicou nas zonas rurais e de pecuária, o que dificulta o acesso a muitos dos agregados familiares mais vulneráveis.
O OCHA receia que a segurança alimentar continue a deteriorar-se à medida que a seca compromete a produção agrícola e os meios de subsistência da pecuária.
A desnutrição está a aumentar, com mais de 400.730 crianças afetadas por desnutrição aguda, incluindo 97.150 com desnutrição aguda grave e 303.580 com desnutrição aguda moderada, de acordo com a ONU.
Neste contexto, mais de 295 centros de saúde e nutrição reduziram ou suspenderam as suas atividades, e 156 enfrentam uma grave escassez de suprimentos, pessoal e capacidade operacional.
Enquanto este problema persiste, as organizações humanitárias e o Governo intensificaram os preparativos para mitigar o risco de inundações e tempestades associadas ao fenómeno climático El Niño, previsto para a estação das chuvas Deyr, que vai de outubro a dezembro.
Para além da crise humanitária, a Somália vive num estado de conflito e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado, o que deixou o país sem um governo efetivo e nas mãos de milícias islâmicas e senhores da guerra.
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