“Venho aqui para manifestar o compromisso da França para com o povo sírio. Por uma Síria soberana, unida na sua pluralidade e em paz com os seus vizinhos. Juntos, vamos abrir uma nova página de estabilidade e paz”, escreveu Emmanuel Macron, numa mensagem publicada nas redes sociais, por ocasião do início da sua visita.
O Presidente sírio Ahmad al-Sharaa elogiou, por sua vez, o papel “muito construtivo” da França, “amiga do povo sírio”, desde a queda do ex-presidente Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, numa entrevista à televisão francesa BFMTV.
“A França tem sido considerada uma amiga do povo sírio desde a revolução síria e a França apoiou o movimento da revolução síria para que o povo, que era oprimido pelo antigo regime, recuperasse a sua liberdade e a sua dignidade”, afirmou o líder interino na entrevista transmitida por ocasião da chegada do homólogo francês a Damasco.
Recordando que a Síria tem enormes necessidades depois de ter sido devastada por 14 anos de “guerra civil”, o líder sírio afirmou que o seu país “precisa de muitas parcerias com empresas de diferentes setores”.
Al-Sharaa apresentou a Síria como uma “enorme oportunidade” para empresas estrangeiras “reconstruírem infraestruturas destruídas”.
A visita do Presidente francês ocorre em vésperas de participar na cimeira da NATO em Ancara, na Turquia, onde se espera a presença do homólogo interino sírio, Ahmad al-Sharaa, que deverá protagonizar uma reunião de alto nível com o Presidente norte-americano, Donald Trump.
O líder republicano sugeriu recentemente que a Síria poderia “encarregar-se” do movimento xiita libanês Hezbollah, que trava um conflito com Israel desde 02 de março.
A França não quis divulgar a visita de Macron até ao momento da aterragem, nomeadamente por razões de segurança neste país que atravessa um frágil processo de pacificação após 13 anos de guerra civil e onde um atentado à bomba num café na capital causou dez mortos na quinta-feira.
“A nova Síria só será nossa parceira se a sua pluralidade for plenamente tida em conta”, afirmou a Presidência francesa em comunicado, garantindo ao mesmo tempo que Paris se mostrava confiante e exigente a este respeito.
“Não há hipótese” de que “um poder exclusivo substitua outro poder exclusivo”, continuou o Eliseu.
Al-Sharaa comprometeu-se a proteger as minorias, mas os massacres de alauítas em março de 2025 e os confrontos com combatentes drusos há um ano deixaram marcas.
Outra questão importante é a luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI), na qual a Síria participa agora através da coligação internacional, bem como a presença ainda dos últimos combatentes franceses do EI em território sírio.
A França foi alvo, em 2015, de atentados de grande envergadura orquestrados a partir desse país.
Trata-se da primeira visita de um presidente francês à Síria desde as realizadas por Nicolas Sarkozy em 2008-2009, antes da rutura provocada pela repressão da Primavera Árabe em 2011 pelo regime de Bashar al-Assad.
A agência oficial síria Sana qualificou esta visita como “histórica”, apresentando-a como “um marco decisivo no processo de restabelecimento da presença internacional da Síria”.
Macron já tinha sido o primeiro líder ocidental a receber Al-Sharaah, em maio de 2025, quando apostou em acompanhar a transição síria ao aparecer no Palácio do Eliseu com este líder de passado como combatente rebelde, apesar das críticas de vários dos seus opositores da direita e da extrema-direita.
A visita a Paris tinha precedido outra viagem, ainda mais estratégica, do líder sírio a Washington, para se encontrar com Donald Trump, e o levantamento das sanções europeias e norte-americanas contra a Síria.
A França também avançou que irá devolver às autoridades sírias os objetos arqueológicos que tinham sido emprestados antes da guerra, informou o Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.
“O Presidente devolve à Síria objetos arqueológicos que tinham sido emprestados ao Instituto do Mundo Árabe em 2010 e que, por razões óbvias, não puderam ser devolvidos à Síria”, precisou a Presidência francesa.
Estas 23 obras devolvidas ao Museu Nacional de Damasco abrangem um período cronológico que vai da pré-história à época abássida, passando pelas civilizações mesopotâmica, cananeia, nabateia, palmirena, romana, bizantina e omíada, segundo a mesma fonte.
O conflito sírio destruiu monumentos arqueológicos e dezenas de milhares de peças foram saqueadas.
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