Numa declaração televisiva, Naim Qassem sustentou que a “principal exigência” do Líbano deve ser “restaurar a soberania do país”, ao fim de mais de três meses de conflito aberto entre o Hezbollah e Israel, que alargou a sua ocupação militar no sul do território libanês.
O clérigo xiita referiu-se ao desarmamento das milícias do seu movimento – procurado sem sucesso pelas autoridades de Beirute e exigido por Israel – como uma questão “interna”, que deve permanecer fora das negociações entre os representantes libaneses e israelitas, juntamente com “questões económicas ou de estratégia de segurança nacional”.
Estas inéditas conversações de paz entre os dois países sem relações diplomáticas decorrem em paralelo com as negociações para o conflito entre Estados Unidos e Irão, que exige um entendimento que inclua o fim das hostilidades no Líbano.
Na próxima semana, está agendada uma quinta ronda de conversações em Washington entre Líbano e Israel, mas este processo negocial tem merecido a oposição do Hezbollah.
Para Naim Qassem, o diálogo israelo-libanês deve decorrer de forma “independente” das negociações entre Washington e Teerão, que por seu lado têm prevista a assinatura, na sexta-feira na Suíça, de um memorando de entendimento sobre a guerra iniciada com a ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.
O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, descreveu o acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irão como uma “grande vitória” para Teerão e um “momento crucial” para o Líbano.
O dirigente do grupo libanês felicitou “o povo iraniano, a resistência e os povos sedentos de independência e liberdade por esta grande vitória” e agradeceu a Teerão por ter incluído o Líbano no acordo com os Estados Unidos, esperando que este momento sirva para “expulsar Israel” do país.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, reafirmou hoje que o Líbano é “independente” nas negociações com Israel e pediu que “ninguém as ligue a outro país”, embora agradeça qualquer apoio para consolidar um cessar-fogo, “incluindo o Irão”.
O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior
Desde 02 de março, pelo menos 3.826 pessoas morreram e 11.851 ficaram feridas no Líbano, segundo a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
A situação no Líbano tem levantado tensões nas últimas semanas entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que insiste na eliminação da ameaça do Hezbollah a Israel.
Após o anúncio, no domingo, do acordo entre Washington e Teerão, o líder israelita disse que “a luta ainda não terminou” e que Israel permanecerá “em alerta” e determinado a atacar, se necessário, não só o Irão, como qualquer um dos seus aliados no Médio Oriente.
Desde então, os relatos de confrontos entre Israel e Hezbollah prosseguem.
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