Cerca de 60 pessoas, principalmente familiares de Adem Jashari, foram mortas juntamente com ele quando as forças sérvias lançaram um ataque contra o comandante fundador do Exército de Libertação do Kosovo (KLA) em março de 1998.
O massacre ocorreu no final de um cerco levado a cabo por unidades especiais da polícia sérvia e pelas forças militares contra a propriedade da família Jashari na aldeia de Prekaz, no noroeste do Kosovo.
As tropas sérvias, apoiadas por veículos blindados e artilharia, cercaram a propriedade durante três dias, até conseguirem tomá-la de assalto.
Entre as vítimas mortais contavam-se 20 membros da família de Adem Jashari, bem como outros familiares e vizinhos, incluindo dezenas de mulheres e crianças.
Ao anunciar as acusações, o procurador-geral especial, Blerim Isufaj, precisou que se trata da “primeira acusação relacionada com o assassinato de civis na propriedade dos Jashari, em Prekaz”.
“Cabe agora ao tribunal avaliar a acusação e as provas nela contidas”, acrescentou, durante uma conferência de imprensa.
As acusações são o resultado de vários anos de trabalho dos procuradores, declarou o responsável pelo processo, Valdet Gashi.
De acordo com as provas, os arguidos ocupavam cargos de alto comando nas unidades especiais da polícia sérvia.
Uma vez que não se encontram à disposição das autoridades do Kosovo, o resto do processo judicial decorrerá à revelia.
O ataque foi liderado por Milorad Ulemek, também conhecido por Legija, antigo chefe de uma unidade de comando da polícia, afirmou Gashi.
Milorad Ulemek cumpre atualmente duas penas de prisão de 40 anos por ter orquestrado o assassínio do antigo primeiro-ministro sérvio reformista Zoran Djindjic, em 2003, e do antigo presidente Ivan Stambolic, em 2000.
O massacre de Prekaz constituiu um ponto de viragem na guerra de 1998-1999 entre os albaneses do Kosovo — que constituíam a maioria e eram partidários da independência — e as tropas de Belgrado.
Este episódio suscitou indignação, chamando a atenção internacional para a crise no Kosovo, radicalizando os albaneses étnicos e servindo de principal catalisador na escalada do conflito.
A guerra causou mais de 13.000 mortos e terminou após uma campanha de bombardeamentos da NATO, liderada pelos Estados Unidos.
O Kosovo declarou a sua independência em 2008, mas a Sérvia continua a não a reconhecer.
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