Segundo o diário Koha Ditore, a sessão terminou num ambiente de grande tensão, depois de Albin Kurti ter pedido mais tempo para negociar com as diferentes forças políticas, apesar de o prazo de 30 dias estabelecido para constituir a Câmara ter terminado na sexta-feira.
Em protesto, uma deputada da oposição lançou vários ovos contra o primeiro-ministro, obrigando à suspensão da sessão no meio de gritos e confrontos físicos, indicou o jornal kosovar.
O partido de Kurti, Vetëvendosje, venceu as eleições antecipadas de 07 de junho, com 53 deputados.
Embora possa alcançar os 61 deputados necessários para formar Governo com o apoio de representantes das minorias nacionais, o partido não dispõe dos 80 votos necessários para viabilizar a eleição do presidente do Parlamento.
Se a Câmara não conseguir constituir-se, a Constituição do Kosovo prevê a convocação de novas eleições.
Um cenário semelhante já ocorreu após as eleições de fevereiro e dezembro de 2025, vencidas por Kurti, embora sem que este tenha alcançado uma maioria suficiente para desbloquear as instituições.
Os principais partidos da oposição, PDK, LDK e AAK, recusam viabilizar a eleição do presidente do parlamento.
A oposição acusou o primeiro-ministro de “irresponsabilidade” e classificou a sessão como uma “vergonha”.
O Vetëvendosje, por seu lado, acusou os partidos da oposição de colaborarem com a Lista Sérvia, principal força política da minoria sérvia, para bloquear as instituições do Kosovo.
A crise política surge num momento delicado para o Kosovo, cuja independência, proclamada em 2008, continua sem ser reconhecida pela Sérvia e por vários países europeus, entre eles a Rússia e a China.
A normalização das relações entre Pristina e Belgrado continua a ser uma das condições da União Europeia (UE) para avançar no sentido de uma eventual integração dos dois países.
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