Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Jordânia criticou a presença no local do ministro da Segurança Nacional israelita, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, juntamente com mais de 3.200 colonos israelitas.
O ministério classificou como “um assalto” a entrada no local de culto “sob proteção da polícia de ocupação israelita” e condenou igualmente “os ataques contra os fiéis, as ações provocatórias dos extremistas e da polícia, o hastear de bandeiras israelitas e a incitação à violência por parte de grupos extremistas”.
“Estas ações constituem uma violação flagrante do ‘status quo’ histórico e jurídico na mesquita de Al Aqsa, uma profanação da santidade da mesquita, uma escalada condenável, um ato de barbárie e uma provocação inaceitável”, sublinhou o Governo de Amã.
As declarações surgiram depois de, por ocasião da festividade judaica de Tisha B’Av, que assinala a destruição do Primeiro e do Segundo Templo, mais de 3.200 colonos judaicos terem entrado na Esplanada, onde se situavam ambos os templos.
“Durante o Tisha B’Av celebramos a destruição. Mas também estamos a assistir a um progresso tremendo no Monte do Templo”, disse Ben-Gvir num vídeo gravado em frente a Al-Aqsa, usando o termo hebraico para se referir à Esplanada das Mesquitas.
“Vejam o que está a acontecer aqui: judeus a rezar, a sentirem-se donos do lugar. Isto nunca aconteceu aqui antes”, acrescentou o líder do partido Poder Judaico.
“Isto está a acontecer em cada vez mais lugares […]. Reduzimos os ataques em 85%. Em todo o lado, as pessoas compreendem que o Estado de Israel está no controlo. Ainda há muito a ser feito e, com a ajuda de Deus, vamos avançar”, concluiu.
A Jordânia desempenha o papel de guardiã da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, onde se encontram a mesquita de Al Aqsa e a Cúpula do Rochedo, estatuto reconhecido no tratado de paz assinado com Israel em 1994 e exercido no terreno através do Waqf e do Ministério dos Assuntos Islâmicos jordano.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, Fuad Majali, reafirmou no comunicado a “rejeição absoluta” do reino hachemita e considerou o incidente “uma violação flagrante do direito internacional e do direito internacional humanitário, bem como uma clara agressão contra os lugares sagrados islâmicos e cristãos na Jerusalém ocupada”.
“Trata-se de um ato imprudente e inaceitável que visa impor uma nova realidade na mesquita de Al Aqsa, através da tentativa de a dividir temporal e espacialmente”, reiterou.
Nesse sentido, o porta-voz apelou à comunidade internacional para que adote uma posição firme que obrigue Israel, “enquanto potência ocupante, a pôr termo às contínuas violações de lugares sagrados”.
Por seu lado, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, também condenou “o assalto” e sublinhou “o grave perigo que representa” o plano de divisão da mesquita de Al Aqsa, “promovido por um grupo de extremistas israelitas que controla o governo de ocupação e dita as políticas”.
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