“Macron afirmou que irá cooperar na remoção das minas no estreito de Ormuz em coordenação com os seus parceiros. De acordo com o memorando de entendimento de Islamabad, a remoção das minas cabe exclusivamente ao Irão e a mais nenhum país. Em princípio, não permitimos uma operação deste tipo”, reagiu na rede X o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros para os Assuntos Jurídicos e Internacionais iraniano.
Kazem Gharibabadi aludia ao memorando assinado por Irão e Estados Unidos, com mediação do Paquistão, que prevê o fim imediato do conflito iniciado pela ofensiva israelo-americana em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, e a abertura de negociações para um acordo final de paz.
O entendimento preliminar inclui também a reabertura do estreito de Ormuz, colocado sob ameaça militar do Irão nos últimos meses, atingindo 20% do comércio global de produtos petrolíferos.
“A situação é delicada e complicada. Recomendamos sinceramente que a França não a complique ainda mais com as suas provocações”, acrescentou o vice-ministro iraniano, em resposta ao anúncio de Macron de uma missão militar conjunta com o Omã para a desminagem do estreito de Ormuz.
“Estamos a trabalhar em conjunto para reduzir as tensões no Médio Oriente. Decidimos colaborar, juntamente com os nossos parceiros, na desminagem do estreito de Ormuz para garantir as rotas marítimas e assegurar o trânsito livre e incondicional”, declarou o líder francês.
Esta parceria foi revelada durante a visita a Paris do sultão de Omã, Haitham bin Tariq, com o qual a França concordou com a necessidade de “navegação livre” no estreito de Ormuz, “sem condições ou restrições”.
Nos últimos dias, as tensões entre Teerão e Washington têm aumentado, com ataques iranianos contra vários navios e bombardeamentos norte-americanos dirigidos a instalações militares na costa sul do Irão.
Teerão respondeu posteriormente com ataques contra bases norte-americanas no Kuwait e Bahrein.
Estes foram os primeiros ataques trocados entre as partes, desde o memorando de entendimento assinado pelos presidentes dos Estados Unidos e do Irão em 17 de junho.
Ao abrigo do memorando, os dois lados vão prosseguir negociações com um prazo de 60 dias, centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.
Além da tensão em torno do estreito, o diálogo encontra-se também ameaçado pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.
Leia Também: EUA reafirmam que enviados estão a caminho de Doha para mais negociações



