Em declarações à agência Lusa, Manaar Saedimajd, coordenadora da ação em Portugal, explicou que a mobilização em defesa de um Irão livre, que arranca no sábado por ocasião do 250.º aniversário da Independência dos Estados Unidos, vai acontecer em diversas capitais à escala mundial.
Lisboa, Berlim, Londres, Paris, Madrid, Roma, Viena, Otava, Tóquio e Seul serão algumas das cidades que irão juntar-se à iniciativa, que irá prolongar-se até 09 de julho.
Em todas, a diáspora iraniana irá concentrar-se junto das embaixadas dos Estados Unidos, a quem pede ajuda para derrubar o regime islâmico de Teerão.
Na capital portuguesa, a concentração decorrerá no sábado entre as 18:00 e as 19:30.
“O evento é sobre os 250 anos de liberdade dos Estados Unidos. Sendo o país um símbolo da liberdade, pedimos-lhes que nos ajudem a libertar o nosso país. A história mostra que ajudaram de diferentes maneiras na I e II guerras mundiais na liberdade dos países. Isso também é o que estamos procurando”, afirmou Manaar Saedimajd.
A representante salientou que esta “semana de ação global” decorrerá, “de propósito”, ao mesmo tempo em que são realizadas as cerimónias fúnebres de Khamenei, que liderou o Irão durante quase 37 anos.
Ali Khamenei foi morto em fevereiro no início da ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica.
As cerimónias fúnebres oficiais de Ali Khamenei, que vão decorrer durante seis dias, a partir de sábado, vão percorrer cinco locais no Irão e no Iraque, com forte simbolismo político e religioso e sob apertadas medidas de segurança.
O seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, foi nomeado a 08 de março.
“É realmente de propósito, começando dia 04 e terminando a 09. As autoridades iranianas estarão a transportar os restos mortais e, para mim, isso significa que o lixo vai ser despejado. Ao enterrar os restos mortais queremos também que seja o enterro da República Islâmica”, salientou.
Questionada pela Lusa sobre se Reza Pahlavi, príncipe herdeiro e filho mais velho do último xá do Irão, Mohammad Reza Pahlavi, deposto em 1989, é a personalidade certa para liderar a transição politica no Irão após uma eventual queda do atual regime islâmico, Saedimajd respondeu “sim”, sendo essa a “resposta curta”.
“A resposta longa passa por lembrar que Reza Pahlavi trabalha pela liberdade do Irão há 47 anos. As suas palavras nunca mudaram sobre a liberdade do Irão. As pessoas no Irão estão a sair às ruas depois do apelo de janeiro nesse sentido. São milhões, nas 32 províncias e todas as cidades. A população do Irão já o vê como um líder”, afirmou.
Ainda questionada pela Lusa sobre as afirmações do regime de Teerão que caracterizam Reza Pahlavi como uma “marioneta nas mãos dos Estados Unidos”, Saedimajd considerou-as “um absurdo”, pois o filho mais velho do último xá do Irão “fala com diferentes tipos de pessoas ao redor do mundo, com diferentes partidos, de direita e de esquerda”.
“Nós estaríamos mais do que felizes se o regime imposto pela República Islâmica tivesse desistido. O facto é que eles não querem desistir. Eles não vão desistir facilmente. E nós vimos isso com as pessoas a sair para as ruas aos milhões e que foram massacradas. Mais de 43 mil pessoas foram massacradas. Nós vamos libertar o nosso país com ou sem o Ocidente”, salientou.
À pergunta sobre quando tal poderá acontecer, Saedimajd respondeu: “Quando chegar a altura”.
“Vamos libertar o nosso país, é apenas uma questão do custo. Se o Ocidente, a Europa, América, Israel, países árabes em redor, nos ajudarem o custo será menor. Não lhes pedimos para acabarem completamente com o regime. Cabe a nós fazê-lo. Mas não o conseguiremos fazer de mãos vazias. Foi o que também aconteceu com os nazis, com a ajuda do Ocidente”, explicou.
Saedimajd referiu ainda que a escolha do dia 04 de julho para o arranque da iniciativa é simbólica, uma vez que coincide com o 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos.
Os promotores da campanha traçam um paralelismo entre os valores históricos norte-americanos de resistência à tirania e a atual contestação popular contra o governo teocrático em Teerão, alertando para o facto de que eventuais concessões políticas ao regime não levarão estabilidade à região.
“Pelo contrário, tais medidas representam o abandono do povo iraniano e legitimam a repressão”, acrescentou a representante, salientando que o movimento pretende pressionar governos, decisores políticos e líderes da sociedade civil ocidental para que reconheçam formalmente a oposição como um movimento nacional e democrático, “para atingir uma transição para um Irão livre, secular e soberano”.
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