Uma idosa de 87 anos foi despejada da casa onde vivia há mais de 70 anos, no bairro de El Retiro, no centro de Madrid, Espanha, após a renda aumentar para 1.650 euros. O caso gerou protestos e houve até quem se oferecesse para pagar a sua renda durante o tempo que fosse necessário.
Segundo conta a imprensa espanhola, o pai da idosa, identificada como Maricarmen, arrendou o imóvel em 1956. Após a morte dos pais, a mulher continuou a viver no apartamento, durante o período em que o valor da renda estava limitado por lei.
Na altura, o contrato de arrendamento foi assinado ao abrigo das antigas leis de controlo de rendas. Com a aprovação da Lei do Arrendamento Urbano de 1994, o quadro legal para estes arrendamentos mudou radicalmente.
Maricarmen assumiu o contrato do imóvel há 20 anos e, desde então, cumpriu religiosamente com o pagamento da renda, que foi aumentando com base no valor da inflação.
No entanto, a situação mudou em 2018 quando o edifício foi adquirido por uma empresa de investimento. Os novos proprietários iniciaram um processo judicial, alegando uma lacuna sub-rogação do contrato, que consideraram ser “economicamente insustentável”.
O caso chegou aos tribunais e o Supremo Tribunal de Espanha decidiu a favor da empresa, que tentou aumentar a renda em 275%.
Maricarmen, uma idosa reformada com 50% de capacidade, não conseguiu pagar o valor pedido e, nos últimos meses, centenas de vizinhos, grupos sociais e plataformas de defesa do direito à habitação mobilizaram-se em apoio, organizando acampamentos e protestos para impedir o despejo ordenado pela justiça.
Uma escritora não identificada chegou a oferecer-se para cobrir a diferença na renda para evitar o despejo pela Urbagestión, mas o fundo de investimento proprietário do imóvel não aceitou.
Já a Secretária de Estado da Habitação de Espanha, Leire Iglesias, afirmou que a Urbagestión aceitou mediar a situação para encontrar uma solução para o problema de Maricarmen, mas acabou por não atender as suas chamadas, segundo a rádio Cadena SER.
Manifestantes protestam contra despejo de Maricarmen
Maricarmen acabou por ser despejada durante a manhã desta quarta-feira, após quatro tentativas das autoridades.
Um grupo de ativistas organizou um protesto contra o despejo e duas pessoas acabaram por ser retiradas do local pela Polícia Nacional.
Os manifestantes gritaram palavras de ordem como “Maricarmen fica”, “Esta senhora podia ser a sua avó”, “Não vamos embora, ficamos aqui”, “Eu teria vergonha de ser polícia”, “Eu teria vergonha de despejar Maricarmen”, “Proprietário culpado, Governo responsável”, “Assassinos”, “Fora, fora” e “O povo unido jamais será vencido”.
Pode ver as imagens na galeria acima.

Património da igreja poderá ajudar a habitação acessível em Lisboa
O Patriarcado de Lisboa e Cáritas Diocesana assinaram hoje um protocolo com o objetivo de facilitar a reabilitação e construção de património habitacional destinado a arrendamento a custos acessíveis e moderados.
Lusa | 12:07 – 23/09/2026



