O passageiro de 61 anos que foi parcialmente sugado para fora de uma janela durante um voo da Ryanair falou pela primeira vez desde o acidente aparatoso e fora do comum que sofreu há 11 dias. Em declarações ao Guardian, Ljubisa Karović diz recordar-se da explosão e do estrondo ensurdecedor da janela a partir, que o despertou do sono no assento 11F da aeronave que fazia ligação entre a Grécia e a Alemanha.
“A explosão é o que me lembro”, começa por dizer o empresário sérvio, descrevendo: “é o ruído que precede o caos, o ruído que está sempre presente quando fecho os olhos para dormir”.
“Tenho sorte”, assume, com a cabeça apoiada por um colar cervical e o olhar perdido no horizonte da varanda da casa que alugou em Katerini, a zona balneária nos arredores de Salónica, na Grécia, descreve o jornal.
Passaram-se apenas 100 horas desde que Karović recebeu alta do hospital. O choque, segundo ele, foi avassalador, mas considera que o facto de poder contar a história já é por si só um verdadeiro milagre.
Ljubisa que ficou preso apenas pelo cinto de segurança quando foi parcialmente sugado para fora do Boeing 737-8AS, admite não se lembrar de muita coisa. “A minha cabeça e pescoço ainda doem, mas estou vivo. Pode ter sido o cinto de segurança, o facto de eu ainda estar preso. Mas talvez seja o destino. Acredito em Deus e agradeço-Lhe todos os dias”, partilha.
Os passageiros do voo FR1879, incluindo a esposa de Ljubisa, Svetlana, sentada no 14C, três filas atrás do marido, ainda têm lembranças vívidas do momento em que a janela se partiu, das máscaras de oxigénio a cair, da comoção que se seguiu – com objetos a voar pelo ar – e outros passageiros a agarrarem-no, para o tentarem manter no lugar e dentro do avião.
“Disseram-me que desmaiei duas vezes e que a minha cara ficou inchada e deformada devido à pressão”, recorda.
Dono de uma fábrica de alumínio na Sérvia que exporta mercadorias para vários locais há anos, Ljubisa, viajante de longa data, confessou arrepiar-se só de pensar em andar de avião novamente.
Os médicos alertaram que a recuperação será lenta e recomendaram que use o colar cervical por pelo menos seis semanas, período em que vão avaliar a necessidade de cirurgia. “Há imagens que voltam, o barulho da explosão, o caos, mas quero recuperar”, refere, acrescentando: “E sim, também deveria haver uma compensação. Não apenas e-mails focados em remarcar o voo”.
Questionado se gostaria de deixar alguma mensagem a quem o fosse ler, sorriu e disse: “Usem sempre o cinto de segurança. Não quero que ninguém sofra o que eu sofri”.
O acidente ocorreu a 10 de julho e o avião foi obrigado a aterrar de emergência. Até agora, sabe-se apenas que a janela do avião se partiu e numa conclusão preliminar são apontados “danos causados por um objeto estranho” como causa provável, mas as circunstâncias do incidente ainda estão sob investigação.
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