“Queremos manter a rentabilidade em equilíbrio com o desenvolvimento do banco a longo prazo. Não é tudo sobre rentabilidade”, disse Nicolas Namias num encontro em Paris com jornalistas portugueses em visita à sede do grupo BPCE.
Segundo o gestor, a estratégia do BPCE para o Novo Banco é a longo prazo — “não há um prazo, é de 200 anos…” — e o objetivo é crescer, desde logo junto das pequenas e médias empresas e das grandes empresas, para onde afirmou que será levada a experiência e conhecimento do BPCE em França.
O Novo Banco era desde 2017 detido maioritariamente pelo fundo norte-americano Lone Star (em 75%, tendo o Estado português os restantes 25%) sendo conhecido que, desde o início, o objetivo do Lone Star era tornar o Novo Banco rentável para o vender e gerar mais-valias. A venda foi concretizada em abril deste ano por 6.700 milhões de euros (a Lone Star encaixou cerca de 5.000 milhões de euros e o Estado português 1.673 milhões de euros).
Ainda na conversa com os jornalistas portugueses, Nicolas Namias afirmou que, no momento em que muitos grupos bancários estão a encolher, o objetivo do grupo BPCE é crescer, usando o capital acumulado para investir, e tornar-se “um dos campeões europeus”.
O Novo Banco, frisou, faz parte dessa estratégia.
“Somos um acionista de longo prazo. (…) A grande diferença é como gerimos o tempo, é a longo prazo, isto é muito importante para um grupo cooperativo”, frisou.
Sobre a integração do Novo Banco no grupo BPCE, incluindo processos e cultura organizacional, estimou que demorará cerca de dois anos e meio.
Questionado quanto à oferta de seguros aos clientes do Novo Banco, repetiu o referido em Portugal em final de maio, que o plano é ter os produtos de seguros para servir os clientes mas que não está decidido como será concretizado.
O Jornal Económico noticiou que o BPCE está na fase final para comprar a seguradora GamaLife, do ramo de seguros de vida, gerido pela britânica Apax Partners.
O BPCE é o segundo maior grupo bancário francês (o primeiro é o Crédit Agricole), com uma quota de mercado de 21%.
Na zona de Paris onde o BPCE tem a sua sede numa grande torre (das maiores de Paris, depois da Torre Eiffel), e onde trabalham nove mil pessoas, o nome Novo Banco já consta da parede do hall de entrada do edifício, junto com até agora as principais marcas do grupo, Banque Populaire, Caisse d’Espargne e Naxitis.
O grupo foi criado em 2009 pela junção de Caisse d’Espargne, Banque Populaire e Naxitis.
Caisse d’Epargne foi criada em 1818 como um banco de poupanças, Banque Populaire foi criado em 1878 como banco cooperativo para apoiar empresas e Naxitis foi criada em 1919 para financiar a reconstrução de França, caso de infraestruturas, após a I Guerra Mundial.
Em 2009 juntaram-se e criaram o grupo BPCE.
“É um grupo com raízes profundas na economia real”, considerou Nicolas Namias, acrescentando que o grupo bancário cooperativo tem atualmente 35 milhões de clientes, dos quais 10 milhões são acionistas cooperativos e recebem dividendos.
Depois da aposta em Portugal, Nicolas Namias afirmou que o grupo continuará à procura de mais oportunidades, quer na Europa quer no mundo.
Apesar de estarem integradas no mesmo grupo, Caisse d’Epargne, Banque Populaire e Naxitis têm gestões autónomas (há, aliás, 15 Caisse d’Espargne e 14 Banque Populaire, cada uma com a sua administração autónoma), sendo o BPCE o topo do grupo, definindo a estratégia e fazendo a consolidação dos resultados.
O Novo Banco, disse o presidente do BPCE, funcionará da mesma forma, trabalhando a administração de forma autónoma.
Sobre os trabalhadores do Novo Banco, afirmou que as decisões caberão à administração, presidida por Mark Bourke, e que a decisão de distribuir prémios aos trabalhadores (equivalente a dois salários) foi das primeiras que como novo dono tomou, em conjunto com a administração, e que o fez para reconhecer o trabalho dos funcionários.
Sobre se o Novo Banco voltará a fazer conferências de imprensa de apresentação de resultados — acabaram com a chegada de Mark Bourke a presidente executivo, em 2022, — Nicolas Namias não quis comentar.
No primeiro trimestre deste ano, o grupo BPCE teve lucros de 1.000 milhões de euros, mais 21% do que no ano anterior.
O Novo Banco teve lucros de 200,7 milhões de euros entre janeiro e março.
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