No final de um encontro em Lisboa com a sua homóloga marroquina, Graça Carvalho defendeu que o projeto seja considerado “de interesse europeu porque dá uma maior segurança de abastecimento de energia à Europa e também a África”.
Em cima da mesa, está um pedido de reunião com a vice-presidente da Comissão Europeia, Teresa Ribera, para explorar a hipótese um financiamento no âmbito do próximo quadro europeu, designadamente através do programa Connect European Facility, que terá um reforço da sua dotação destinada ao investimento em infraestruturas.
“O orçamento nesta área vai aumentar muito, o primeiro passo é ser considerado um projeto prioritário”, reforçou a ministra Maria da Graça Carvalho.
A possibilidade de uma ligação elétrica entre Portugal e Marrocos já tinha sido colocada em 2016, quando os dois países lançaram o concurso para o estudo de viabilidade técnico-financeira de uma interligação por cabo submarino.
Na altura, durante o primeiro Governo socialista de António Costa, foi assinada uma declaração de princípios entre os dois países na área da eletricidade e do gás natural.
O custo do projeto, estimado em cerca de 800 milhões de euros, terá de ser atualizado “porque os custos evoluíram muito nestes anos”, disse ainda a ministra do Ambiente e Energia.
Esse custo vai depender também da solução tecnológica e do percurso da infraestrutura entre Portugal e Marrocos, tendo Graça Carvalho admitido que “um projeto em conjunto Portugal-Espanha-Marrocos é muito mais barato, porque a interligação já existe” entre aqueles dois países.
“Há promotores privados que estão a desenvolver uma ligação até à Alemanha, portanto também poderá ser uma derivação de uma ligação que já esteja a ser construída. Nessa altura, a parte de Portugal é mais barata”, disse ainda.
“São duas vias que vamos explorar, o envolvimento europeu e o envolvimento do setor privado”, acrescentou.
Sobre o interesse do setor privado no projeto, a ministra do Ambiente e Energia afirmou que o Governo tem sido abordado por empresas e consórcios privados de empresas de energia, incluindo operadores de rede.
Admitiu a realização de uma auscultação ao mercado “para ver como reage o setor privado a ser envolvido num projeto deste tipo”.
Questionada sobre o apagão de 28 de abril de 2025 e sobre a importância das interligações elétricas na recuperação do sistema, Maria da Graça Carvalho afirmou que “se Espanha tiver um apagão, nós temos que começar sozinhos, com as centrais de arranque autónomo. Espanha, por exemplo, teve a ajuda de Marrocos e de França”.
“Se tivéssemos tido uma ligação a Marrocos, era mais uma bolha de eletricidade, e portanto teria sido um pouco mais rápido”, adiantou.
A ministra da Transição Energética e do Desenvolvimento Sustentável de Marrocos, Leila Benali, considerou o encontro como tendo sido produtivo em matérias como segurança energética, alterações climáticas e biodiversidade, tendo expressado a preocupação comum dos dois países em “diminuir os custos de acesso à energia para as populações dos dois lados do Atlântico”.
Além da interligação, o encontro entre as duas governantes abordou também a área dos minerais críticos e das energias renováveis, temas que deverão ser retomados numa cimeira Portugal-Marrocos a decorrer previsivelmente no início do próximo ano.
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