Diogo Feio defende a fusão entre CDS e PSD, num movimento de centro-direita que inclua também a Iniciativa Liberal.
Ascenso Simões e Diogo Feio analisaram, no domingo, no programa ‘Além do Óbvio’, da SIC Notícias, o congresso do CDS, que teve lugar este fim de semana.
“Eu não gosto excessivamente de umas referências que de vez em quando se fazem ao CDS como se fossem Os Verdes do PSD, numa referência à coligação que era feita entre o Partido Comunista e Os Verdes que era a CDU. Isso não retira que eu tenha estima por quem está a tentar fazer com que o partido tenha uma existência autónoma, mas discordo”, começou por dizer o ex-deputado centrista.
Na ótica de Diogo Feio, “desde que o CDS saiu do Parlamento” e perdeu a sua relevância, deve “dar a volta a isso” e ser “a primeira voz em relação ao movimento” que, considera, “é possível fazer no centro-direita moderado”.
“Era muito importante trazer para esse movimento também a Iniciativa Liberal, uma espécie de ADL – Aliança Democrática Liberal – aliás, pegando numa ideia, de que o espaço de centro-direita moderado pode estar junto numa só força partidária” que fale sobre coisas de que o país necessita, acrescentou.
O antigo deputado diz mesmo que “não tem muito sentido” dois partidos como o PSD e o CDS, “que têm anos e anos de estarem juntos no Governo”, terem uma existência autónoma.
“O que eu pretendia era que estes três partidos, de forma concertada, falassem sobre temas importantes para a nossa sociedade”, enfatizou, defendendo que essa possibilidade “é uma vantagem positiva do espaço de centro-direita” que o PS, por exemplo, não tem.
“CDS não existe propriamente enquanto partido”
Na mesma linha, Ascenso Simões defendeu que “faz todo o sentido que haja uma evolução partidária que junte estes três” partidos. O socialista recusou concordar com Diogo Feio, mas considerou que é preciso “partir de outros pressupostos para chegar ao mesmo resultado”.
E explicou: “Foi bastante penoso assistir aos trabalhos do congresso do CDS. Eu estava habituado a ter um CDS que fosse democrata-cristão. A natureza do CDS sempre foi, ao longo do tempo, uma referência democrata-cristã e isso fez sentido, durante muito tempo, na nossa sociedade, no espaço ocidental, no espaço europeu… E lentamente, o espaço da democracia-cristã foi pertendo para outros movimentos.”
Além disso, na sua visão, o “dr. Paulo Portas tranformou o CDS num partido-pessoa”, o que considera ter sido “o grande erro do CDS”.
“Como há agora um partido na extrema-direita que é um partido que é uma pessoa, o CDS foi, durante muito tempo, o partido-pessoa de Paulo Portas. Com a saída de Paulo Portas, o CDS perdeu o espaço e perdeu energia, perdeu imaginação, e perdeu até muitos quadros que estavam no CDS e que entretanto passaram a conviver com o PSD em muitos universos”, explicou.
“O CDS está neste momento no Governo mas não existe propriamente enquanto partido. Existe enquanto espaço de tentativa de alargamento do PSD a uma imagem anterior, a um tempo que já passou, a uma forma de alargar o seu espaço que efetivamente já não coincide com os votos”, continuou o antigo deputado do PS.
Já ao PSD, Ascenso Simões apontou “falta de imaginação política”, “nenhum ímpeto transformador” e “nenhum ímpeto reformista”. “É hoje um partido canibal do Estado, mais nada”, criticou.
O CDS, por sua vez, “reduziu-se a meia dúzia de pessoas que estão lá há muito tempo e que também não têm nenhuma ligação com a sociedade”. À Iniciativa Liberal, por fim, “falta-lhe capacidade de penetração naquilo que são os quadros”.
Por isso, explicou, “para que o PSD possa ter uma maioria absoluta nas próximas eleições, faz todo o sentido que haja uma evolução partidária que junte estes três elementos”.
“Este congresso não trouxe nada de novo, nem no discurso, nem nas pessoas, nem no futuro, nem na forma de atuar, em nada. Foi um congresso absolutamente pobre sob o ponto de vista de tudo aquilo que se faz num partido que já foi um partido histórico dos primeiros 40 anos da nossa democracia”, concluiu o socialista.
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