“Temos de ter empresas na Europa que criem valores para a Europa”, afirmou Sandra Parthie (empregadores), quando questionada sobre competitividade, quando falava na mesa redonda “Made in UE: competitive, social and sustainable” [Fabricado na UE: competitivo, social e sustentável], no âmbito do seminário Connecting UE, organizado pelo Comité Económico e Social Europeu [European Economic and Social Committee (EESC), em Sófia.
Para se ter empresas “made in Europe” significa “condições para investir, escalar, contratar” e crescer e “infelizmente não é onde estamos agora”, acrescentou Sandra Parthie, no primeiro dia do seminário que decorre até terça-feira na Universidade de Sofia, com o tema “Em defesa dos valores europeus: o poder da sociedade civil” [In defence of european values: The power of civil society].
A responsável apontou que há empresas europeias a relocalizarem-se para fora da Europa, o que dificulta o objetivo.
Para Sandra Parthie, empresas mais competitivas geram melhores salários e melhores condições de trabalho e contribuem para a política verde, “mas primeiro têm de dar lucro”.
Instada a apontar a prioridade, apontou o investimento em infraestruturas, enfatizando as áreas de telecomunicações e energia, que são a “espinha dorsal”.
Se a inteligência artificial (IA) arrancar na União Europeia “é preciso ter boas telecomunicações” e uma relação eficiente com a energia, tendo “mais energia renovável”, salientou.
“Temos de ter a base para desenvolver tudo”, rematou.
Para Florian Mario, que representa os trabalhadores, duas coisas que não são competitividade são a “inequalidade” e os “trabalhos precários”.
“Não se consegue concorrer […] com salários precários”, reforçou, apontando que é necessário “condições de trabalho previsíveis”, acrescentou Florian Mario, que se manifestou contra a redução de salários e de direitos dos trabalhadores.
Sobre o papel dos direitos dos trabalhadores, o responsável, que é romeno, disse que é “como numa relação” quando se tem “diferentes expectativas”.
Florian Mario sublinhou que “os sindicatos não estão contra a produtividade e a concorrência”.
A grande questão é “o que estamos a fazer com essa produtividade? Como vai ser partilhado o valor acrescentado que é feito na UE”.
O presidente do grupo que representa os trabalhadores defendeu a necessidade de consolidar a “solidariedade” na Europa e “não deixar ninguém para trás”.
Como prioridade, elencou o custo de vida: “Sou da Roménia” e atualmente mais de 20% da população “está a trabalhar noutros países, temos de ter um equilíbrio do custo de vida e temos de ter acesso a serviços públicos e habitação”.
Porque se tal não acontecer os cidadãos “não defendem a democracia porque não criamos condições para lutarem pela UE”, rematou.
Por sua vez, Cillian Lohan, que representa as organizações da sociedade civil, apontou a importância da sustentabilidade e considerou que, em primeiro lugar, é preciso ver quais são as necessidades das sociedades.
Elencou a destruição de habitats, as alterações climáticas e o problema migratório que vai continuar porque está tudo intrinsecamente ligado.
Nesse sentido, defendeu “mudanças na forma” como se aborda o problema e, às vezes, “é melhor fazer algo diferente do que todos os outros estão a fazer”
Cillian Lohan considerou que é preciso haver uma liderança “com uma direção clara”, até porque neste momento o mundo enfrenta falta de confiança na democracia e nas organizações.
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