Lazzeri entregou as cartas a um responsável do Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, Michael Kozak, que na sexta-feira “devolveu as cartas do México” por considerar que “pretendiam orientar as ações do pessoal do Governo dos Estados Unidos no seu território soberano”, salientou o Departamento de Estado num comunicado publicado nas redes sociais.
Kozak “recomendou igualmente ao México que apresentasse as suas preocupações através dos canais diplomáticos convencionais”, salientou Washington.
O embaixador mexicano tinha anteriormente enviado uma carta à empresa privada que gere o centro de detenção de Adelanto, na Califórnia, “na qual se exorta a empresa a cumprir os protocolos aplicáveis e a respeitar plenamente os direitos humanos das pessoas sob a sua custódia”, na sequência da morte de pelo menos quatro mexicanos.
O centro de detenção de Adelanto é gerido pelo GEO Group, uma das principais empresas privadas de gestão de centros de detenção de imigrantes nos Estados Unidos da América (EUA).
A carta de Lazzeri foi emitida “no exercício da função de proteção consular reconhecida pela Convenção de Viena sobre Relações Consulares, da qual ambos os países fazem parte, e com pleno respeito pelas leis, autoridades e instituições dos Estados Unidos”.
Em resposta à devolução das cartas, a Embaixada mexicana informou que o país “toma nota” do facto e que “as preocupações que as motivaram foram formalmente apresentadas por via diplomática” em reuniões com o Departamento de Segurança Interna e o ICE.
Assim, o México “continuará a acompanhar de perto cada caso e a trabalhar em coordenação com as autoridades norte-americanas, com base nos princípios do respeito pela soberania, da responsabilidade partilhada, da confiança mútua e da colaboração sem subordinação”.
As cartas fazem parte de uma série de medidas anunciadas na segunda-feira pela Secretaria de Relações Exteriores do México, que prevê o envio de correspondência aos centros de detenção onde morreram cidadãos mexicanos, para que “cessem imediatamente as ações ou omissões que conduziram a estas mortes, tais como impedir o acesso a cuidados médicos rápidos e imediatos, bem como a aplicação de políticas incompatíveis com as normas médicas e penitenciárias”.
Estas cartas “constituem o primeiro passo formal para a eventual interposição de ações cíveis”.
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