© V. Tonic/Marine Traffic
Um helicóptero militar disparou dois mísseis contra a casa das máquinas do cargueiro “Vela Nova”, depois de a sua tripulação ter ignorado os avisos, relatou em comunicado o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) no Médio Oriente, confirmando uma notícia divulgada anteriormente pelo The Wall Street Journal, que citava uma fonte das autoridades de Washington.
Segundo o jornal, a empresa de segurança marítima Vanguard precisou que o porta-contentores panamiano “Vela Nova” tinha sido atingido quando navegava no golfo de Omã na direção oeste, a cerca de 71 milhas náuticas (131 quilómetros) da costa do Paquistão.
Numa informação preliminar, a Vanguard indicou que o ataque provocou um incêndio, posteriormente extinto, e confirmou que todos os 17 tripulantes estavam a salvo.
Esta é a terceira vez que os militares norte-americanos usam a força para manter o bloqueio imposto aos portos iranianos em 14 de julho.
Desde então, as forças norte-americanas dizem ter também redirecionado 55 navios.
Durante um primeiro bloqueio inicial, entre meados de abril e meados de junho, os militares norte-americanos dispararam contra nove navios e redirecionaram mais de 140.
O ataque de hoje ocorre numa altura em que Washington intensifica a pressão para tentar paralisar a economia iraniana, depois de a via do diálogo não ter produzido resultados para encerrar o conflito lançado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz, colocado sob ameaça militar iraniana desde o início do conflito, e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo num período de dois meses.
A reabertura de Ormuz, por onde passavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes da guerra, é uma das condições exigidas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para cessar as hostilidades, enquanto enfrenta pressão interna devido ao aumento dos preços dos combustíveis a menos de três meses das eleições intercalares nos Estados Unidos.
Teerão exige por seu lado que os Estados Unidos suspendam todos os seus ataques contra a República Islâmica e aliados, incluindo no Iémen e no Iraque, bem como o bloqueio aos portos iranianos.
Além disso, reclama também compensações integrais pelos danos causados pelas hostilidades e o levantamento de sanções contra a economia iraniana, a par do descongelamento de ativos no estrangeiro.
Hoje, o novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, avisou que o estreito de Ormuz “não será aberto” até que os Estados Unidos “mudem o seu comportamento e aceitem as condições” de Teerão.
Em declarações citadas pela agência Tasnim, Rezaei afirmou que o acordo de uma nova rota marítima, a ser fechado entre a República Islâmica e Omã, deve ser visto “em separado” do bloqueio ao estreito de Ormuz e não significará a sua reabertura.
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