O estudo, da autoria da Oliver Wyman e encomendado pela Federação Bancária Europeia (EBF, na sigla em inglês), refere que o continente tem em mãos o desafio de reverter o crescimento fraco e a competitividade em declínio enquanto financia uma agenda de investimento.
No entender dos autores, esta agenda vai determinar a resiliência económica do continente, a sua autonomia estratégica e sua relevância a nível global na próxima década.
Neste contexto, estima que a Europa necessita de aumentar o seu investimento em 1,4 biliões por ano, um valor acima dos 800 mil milhões de euros previstos pelo relatório Draghi, em 2024.
Esta diferença é explicada pelo aumento dos custos com defesa devido ao aumento do risco geopolítico e pelo alargamento das prioridades sociais e ambientais.
Segundo o documento hoje divulgado, as necessidades de financiamento dividem-se por transição energética (480 milhões de euros), defesa (320 milhões de euros), digital (160 milhões de euros), inovação e social (ambas com 150 milhões de euros) e ambiente (120 milhões de euros).
Ainda assim, o desafio “não é apenas a escala de investimento necessário”, mas “também a natureza do investimento”.
O estudo da consultora norte-americana regista que o financiamento hoje não funciona de forma eficiente e aponta que está fortemente dependente dos bancos — “cada vez mais constrangidos na sua habilidade de expandir a sua capacidade creditícia e de apoio a investimentos produtivos de longo prazo”.
Ao mesmo tempo, refere, alternativas como mercados de capital e de capital de risco continuam subdesenvolvidas e fragmentadas face a outras economias.
Os autores deixam sete recomendações para aumentar a competitividade dos bancos neste financiamento, dividindo-as em três categorias: proporcionar maior capacidade de financiamento e um crescimento sustentável, desbloquear um ciclo contínuo de poupança e investimento e promover escala e integração.
No primeiro caso, sugerem promover uma racionalização e recalibração dos requisitos europeus de capital adicionais, incorporar o crescimento sustentável e a competitividade nos objetivos regulamentares e de supervisão e modernizar o quadro regulamentar.
Na segunda categoria, propõem o desbloqueio da união de poupança e investimento pelos mercados públicos e privados, desbloquear os canais de titularização para libertar a capacidade de crédito e apoiar a expansão das infraestruturas europeias e rever as regras prudenciais específicas que podem limitar a atividade na União Europeia (UE).
Para promover escala e integração, recomendam a eliminação da fragmentação e dos obstáculos à integração.
Estas necessidades de investimento “não são projeções teóricas”, refere, considerando que a incapacidade de mobilizar capital suficiente para as atingir representa um risco ao crescimento e à competitividade europeia face a outras economias em setores estratégicos.
“Já não é apenas uma discussão técnica sobre a regulamentação bancária ou os mercados de capitais, trata-se de um imperativo estratégico fundamental para o crescimento, a resiliência, a competitividade e a prosperidade da Europa”, sublinham os autores, que acrescentam que a Europa dispõe de poupanças para ter sucesso.
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