A reentrada do Estado na REN – Redes Energéticas Nacionais, através da aquisição pela Parpública de uma participação de 13,7% a uma empresa controlada pelo fundador da Zara, vai ser feita por 380 milhões de euros, o que representa um prémio de 17% – correspondente a cerca de 55 milhões de euros – face à cotação da empresa a 14 de agosto, quando o negócio foi aumentado.
A notícia foi avançada pelo Jornal Económico, que revela que este é o valor inscrito no contrato que foi enviado para o Tribunal de Contas. Aliás, o negócio está sujeito a visto desta entidade, que já deu início ao processo de fiscalização.
Na sexta-feira, recorde-se, foi comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que a Parpública, sociedade gestora de participações sociais do Estado Português, comprou aos espanhóis da Pontegadea Inversiones uma participação de 13,7% do capital da REN.
A operação representa um regresso do Estado português à estrutura acionista da empresa, cujo processo de privatização foi concluído em 2014, durante o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, com a saída dos restantes 11% que ainda estavam na esfera pública.

Afinal, reentrada do Estado na REN baixa ou não a fatura da luz?
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu na terça-feira que a reentrada do Estado na REN – Redes Energéticas Nacionais pode baixar a fatura da luz para os clientes, mas especialistas do setor não acreditam nesta hipótese.
Beatriz Vasconcelos com Lusa | 08:54 – 19/08/2026
O mesmo meio de comunicação lembra que na carteira da Parpública estão participações em 19 empresas: nove detidas na totalidade, como a AdP – Águas de Portugal, a Companhia das Lezírias ou a imobiliária Estamo; e outras são minoritárias, como a de 8,42% na Galp ou de 45% no Hospital da Cruz Vermelha.
Primeiro-ministro acredita que fatura da luz pode baixar com o negócio
Em causa está o facto de o primeiro-ministro ter afirmado, na terça-feira, que todos os elementos relativos à reentrada do Estado no capital da REN serão disponibilizados para “escrutínio do país”, tendo admitido que esta operação pode contribuir para diminuir o custo da eletricidade.
Luís Montenegro detalhou ainda que o objetivo desta operação é poder “contribuir ainda mais, de forma mais permanente, para a concretização de um sistema cujos investimentos” permitam que a rede elétrica chegue “mais facilmente à casa das pessoas e também às empresas” com o objetivo de “diminuir efetivamente os custos”.
Para isso, acrescentou, é preciso que o país tenha “capacidade produtiva, uma boa distribuição, que o sistema possa integrar, como já integra felizmente em Portugal, a energia elétrica que provém de fontes renováveis” e possa “ter mais autonomia, autonomia estratégica, autonomia em termos de decisão”.
O primeiro-ministro afirmou que a conjugação destes fatores a “médio e longo prazo terá um efeito sobre o preço”.
“Ninguém diz que é a intervenção na REN que provoca uma alteração de preço, mas é uma das condições para nós podermos proteger o interesse estratégico de termos uma rede mais resiliente, de protegermos as nossas infraestruturas críticas, de fazermos fluir o sistema de maneira a que ele possa ser otimizado e, sendo otimizado, possa refletir-se depois nas condições de acesso”, concretizou.
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