Estes treze especialistas denunciaram, num comunicado, a condenação à morte de doze jovens, com idades entre o final da adolescência e o início dos vinte anos, sendo que dois deles já foram executados a 19 de julho.
“Condenar 12 pessoas à morte numa única audiência, à porta fechada e sem esclarecer a responsabilidade individual de cada acusado, viola os padrões estabelecidos para um julgamento justo”, afirmaram.
Estes especialistas são relatores especiais da ONU e membros dos grupos de trabalho daquela organização sobre desaparecimentos forçados e detenção arbitrária, mas não falam em nome da organização.
No final de dezembro, um movimento de protesto inicialmente desencadeado contra o aumento do custo de vida rapidamente se transformou em grandes manifestações antigovernamentais que culminaram nos dias 08 e 09 de janeiro.
O poder iraniano contou mais de 3.000 mortos, atribuindo a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e Israel.
Algumas ONG sediadas no estrangeiro falaram, por seu lado, de uma repressão que causou milhares de mortos.
Segundo os especialistas, 24 pessoas ligadas aos protestos de janeiro foram enforcadas.
Os doze jovens condenados são acusados de estarem envolvidos na morte de quatro membros das forças de segurança iranianas, bem como em atos de incêndio criminoso e vandalismo cometidos durante os protestos de 8 de janeiro na Praça Shahid Alikhani, em Isfahan, com base em “confissões” transmitidas na televisão, indicaram os especialistas.
“As acusações contra eles permanecem vagas, os julgamentos no tribunal revolucionário foram à porta fechada e as sentenças não saõ tornadas públicas”, esclareceram, considerando que os jovens foram arbitrariamente privados de liberdade e, alguns, vítimas de desaparecimento forçado e maus-tratos.
Entre as pessoas ameaçadas com execução iminente está Shervin Bagherian Jebeli, que tinha acabado de fazer 18 anos pouco antes da sua detenção.
Segundo os especialistas, a televisão estatal transmitiu, mesmo antes do seu julgamento, um vídeo mostrando-o a confessar, durante um interrogatório, atos de violência contra as forças de segurança.
De acordo com as ONG como a Amnistia Internacional, o Irão é o país que mais recorre à pena de morte a seguir à China. As autoridades iranianas executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, um recorde desde 1989, segundo as ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, e Ensemble contre la peine de mort (ECPM), com sede em Paris.
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