O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, afirmou esta sexta-feira que, se fosse primeiro-ministro, “não teria convidado” Luís Neves para o cargo de ministro da Administração Interna, “tendo em conta o trabalho que estava a fazer na Polícia Judiciária (PJ)”.
Em entrevista ao Observador, Carneiro, que foi ministro da Administração Interna durante o Governo de António Costa, explicou que trabalhou com Luís Neves, quando o atual ministro desempenhava funções como diretor-nacional da PJ, tendo encontrado nele “um servidor do Estado e do interesse público e um polícia respeitado”.
“Como é evidente, assumir funções políticas é diferente de ser diretor do mais importante órgão de polícia criminal, que é a Polícia Judiciária”, adiantou. “Todos os deveres de quem tem sentido de Estado e sentido de responsabilidade devem estar concentrados na proteção das instituições democráticas e, particularmente, da Polícia Judiciária”.
Segundo o socialista, nomear Luís Neves para ministro da Administração Interna foi mesmo uma “escolha arriscada” e o antigo diretor-nacional da PJ e o primeiro-ministro, Luís Neves, devem agora “avaliar se há condições para se manter no exercício de funções”.
Questionado se, enquanto primeiro-ministro, demitiria Luís Neves, Carneiro foi taxativo: “Se eu fosse primeiro-ministro, não o teria convidado para funções políticas, tendo em conta o trabalho que estava a fazer na Polícia Judiciária”.
Para o secretário-geral do PS, Luís Neves “ficou a fazer falta à Polícia Judiciária”, sublinhando que agora a “autoridade política do ministro está fragilidada”.
Ainda assim, o socialista considerou que o “Governo tem sido constantemente a principal fonte de instabilidade”, com o primeiro-ministro a mostrar “não ter capacidade antecipatória para os problemas” e “uma grave dificuldade em entender a sensibilidade dos temas de crise, que têm sido vários”.
“O principal factor de instabilidade tem sido, até este momento, o Governo e a insensibilidade e incapacidade do primeiro-ministro”, sublinhou.
Sublinhe-se que, há cerca de duas semanas, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba'”.
Sobre o inquérito da PJ, a direção nacional desta polícia explicou, em comunicado, que “teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos”.
A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Neves? Carneiro afirma que tudo o que disse ao PM “se mantém válido”
O secretário-geral do PS afirmou hoje que tudo o que disse ao primeiro-ministro esta quarta-feira sobre o ministro da Administração Interna “se mantém válido” depois dos esclarecimentos dados pelo governante.
Lusa | 19:08 – 30/07/2026



