Miguel Stilwell d’Andrade afirmou, num encontro com jornalistas a propósito dos 50 anos da EDP, que Portugal tem espaço para receber centros de dados, mas apenas se esse crescimento for planeado, acompanhado por mais geração de energia e sem transferir custos para outros consumidores.
“Eu diria que é preciso assegurar que há sempre este equilíbrio entre a procura e a oferta. Portanto, se há mais ‘data centers’, que haja mais geração e que não haja aqui uma socialização do custo de energia”, afirmou.
“O que vemos em muitos países, por exemplo, nos EUA e não só, é que os ‘data centers’ têm que pagar a maior parte dos custos” associados, acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade.
Segundo o gestor, os centros de dados podem até ter um efeito positivo, se a procura adicional contribuir para diluir custos da rede, mas essa análise deve ser feita à partida.
Miguel Stilwell d’Andrade defendeu ainda que os ‘data centers’ devem criar valor local, “acrescentar algum valor à comunidade do local onde estão inseridos”, e não limitar-se a consumir eletricidade.
O presidente executivo da EDP considerou que essa é “uma preocupação legítima” e que deve ser trabalhada com quem pretende instalar centros de dados no país.
“Se isso for pensado à cabeça, acho que pode ser bem feito. Mas não pode ser feito de uma forma descontrolada”, acrescentou.
Questionado sobre os consumidores e a redução da fatura da eletricidade, Miguel Stilwell d’Andrade disse que, em Portugal, o preço pago pelos clientes resulta de uma componente regulada, ligada às tarifas de acesso às redes e aos custos de interesse geral, e de uma componente de mercado, associada ao preço grossista da energia.
“Em Portugal, em particular, é ditado muito pelo mercado”, afirmou, referindo que existe “uma concorrência grande” entre comercializadores.
O gestor disse que a EDP procura manter a estabilidade tarifária, sem alterações frequentes dos preços aos clientes.
“Nós, normalmente, tentamos ser estáveis. Portanto, não andamos a mudar os preços nem todos os dias, nem todos os trimestres”, afirmou.
“Se o preço estiver a baixar, os clientes pagam menos. Se estiver a aumentar, aumentará. Mas isso reflete o custo intrínseco da energia”, acrescentou.
Sobre os períodos em que o preço grossista da eletricidade atinge zero, Stilwell d’Andrade sublinhou que esses momentos não representam a média anual do mercado.
“Às vezes faz-se notícia quando são zero, mas isso não é a média do ano e, portanto, não é com base nisso que se consegue fazer um preço ao cliente que consome todo o ano”, afirmou.
Sobre o reforço da resiliência das redes, admitiu que mais investimento pode pesar nos custos, defendendo a necessidade de equilíbrio entre eficiência, preço e segurança do sistema.
“Se eu quiser ter uma rede muito, muito resiliente, vou ter que pagar por ela”, afirmou.
Sobre a mobilidade elétrica, considerou que a rede de carregamento tem evoluído e que a situação está “bastante bem resolvida”, embora admita que continuará a ser necessário investir.
“A parte da mobilidade, eu acho que até está bastante bem resolvida”, afirmou, referindo a existência de postos de carregamento em estações de serviço, hipermercados e habitações.
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