“O ecossistema tecnológico do Norte cresceu muito nos últimos anos. A região concentra hoje empresas internacionais, centros de engenharia, startups, talento qualificado e uma comunidade cada vez mais ativa.
Mas à medida que este ecossistema amadurece, os desafios também mudam. E quem trabalha neste setor há tempo suficiente sabe que os problemas de hoje são bem diferentes dos de há uma década.
Durante muito tempo, o foco recaiu, sobretudo, na criação de empresas, na atração de investimento e na formação de talento – essa continua a ser uma prioridade, claro. Mas não chega.
Muitas empresas tecnológicas debatem-se hoje com questões mais difíceis de resolver. Como é que fazemos crescer as equipas sem perdermos a nossa cultura interna? Como é que nos afirmamos em contextos incertos? De que forma podemos tomar decisões num mercado cada vez mais competitivo e exigente?
Existe ainda a velha ideia de que é possível crescer através da velocidade, da inovação e da componente técnica. É uma crença compreensível, sim. É construída em cima de histórias de sucesso. Só que chega sempre um momento em que essa lógica se esgota.
O crescimento passa a depender de outras coisas: da qualidade da gestão, da clareza estratégica, da capacidade de aprender com quem já percorreu o mesmo caminho. Reconhecer este momento, quando ele chega, é talvez, sem exagero, uma das decisões mais importantes que uma empresa pode tomar.
Se as empresas, as instituições de ensino e outros players do ecossistema trabalharem de braço dado, é possível criarem-se condições para que a partilha honesta de experiências possa florescer.
O ecossistema tecnológico português evoluiu muito na capacidade de aproximar pessoas. Não obstante, está na hora de dar o próximo passo: tornar essa colaboração mais estreita e prática. As universidades e as business schools têm aqui um papel que vai muito para lá da formação de novos profissionais. Podem ser parceiras ativas das empresas – ajudá-las a analisar problemas concretos e a ganhar ferramentas para crescer de forma mais sustentável.
Do lado das empresas mais experientes, o convite é igualmente claro. Partilhar conhecimento, apoiar equipas em crescimento e contribuir para o desenvolvimento coletivo da região não é filantropia. Criar esta rede de apoio é, na verdade, uma forma inteligente de fortalecer o ecossistema onde todas estas empresas vivem e dependem.
O Norte chegou até aqui porque soube construir em conjunto. Porque ninguém cria um ecossistema sozinho, tal como poucas empresas crescem verdadeiramente isoladas. À medida que entramos numa nova fase de maturidade, talvez seja essa a lição mais importante.
O talento abre portas, a ambição cria oportunidades, mas são as ligações entre as pessoas e as organizações que permitem ir além do trivial. Uma coisa é certa, há caminhos que se fazem mais depressa sozinho, mas os mais importantes continuam a fazer-se com companhia.”
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