Dois agentes da Polícia de Hampshire, em Inglaterra, estão a ser investigados por possível má conduta grave devido à forma como lidaram com Henry Nowak antes da sua morte. O jovem britânico, de 18 anos, morreu algemado pelas autoridades após ser esfaqueado, em Southampton.
O caso ocorreu no início de dezembro de 2023, quando Nowak foi erradamente detido e algemado pela polícia, após ser esfaqueado por Vickrum Digwa, pertencente à minoria religiosa sikh. Na altura, o homicida disse aos agentes que tinha agido com uma “faca religiosa” em legítima defesa após ser alvo de insultos e agressões.
Antes de morrer, Nowak disse que tinha sido esfaqueado, mas os agentes da Polícia de Hampshire não acreditaram e, em vez de prestarem auxílio, algemaram-no. Agora, o Gabinete Independente de Conduta Policial (IOPC) confirmou que está a investigar a conduta de dois polícias.
Segundo o gabinete, citado pela Sky News, há provas que indicam que os dois agentes – os primeiros a chegar ao local no final da noite de 3 de dezembro — podem ter violado os padrões de conduta profissional relativos a deveres e responsabilidades, uso da força e conduta desonrosa.
Há também indícios de que um dos polícias pode ter violado o padrão relativo à autoridade, respeito e cortesia, por aparentemente ter desconsiderado a versão de Henry de que tinha sido esfaqueado.
“Há provas claras de que a confiança pública na força policial pode ter sido seriamente prejudicada por este incidente, e este é um fator que devemos considerar ao avaliar as provas”, admitiu o diretor de envolvimento do IOPC, Derrick Campbell.
A investigação surge depois de, na semana passada, a BBC ter revelado que os agentes que tomaram conta da ocorrência de Henry Nowak demoraram oito minutos a descobrir os graves ferimentos no corpo do jovem, enquanto o algemavam.
Henry Nowak, de 18 anos, foi assassinado a 3 de dezembro de 2025 com uma faca por Vickrum Digwa, de 23 anos, mas imagens das câmaras da polícia mostram a vítima a ser algemada por agentes antes da morte.
As imagens divulgadas, no início de junho, pela Polícia de Hampshire, mostram que o jovem alertou várias vezes os agentes que não conseguia respirar e que tinha sido esfaqueado.
“Não consigo respirar. Fui esfaqueado”, disse o jovem.
“Acho que não, amigo”, respondeu um dos polícias. Os oficiais obrigam-no, depois, a sentar-se, para ser algemado.
Perante as queixas de Nowak, um dos agentes é visto a levantar a camisa do adolescente, antes de o deixar deitado de lado. “Ele não foi esfaqueado”, ouve-se uma voz masculina. O jovem morreu três minutos depois.
“O Henry disse aos agentes nove vezes que não conseguia respirar. Disse-lhes que tinha sido esfaqueado quatro vezes. O Henry foi arrastado pelo cascalho, com as mãos forçadas atrás das costas, e foi algemado. […] O Henry não devia ter morrido nas ruas de Southampton sob custódia policial”, disse o pai da vítima, Mark.
No início de junho, Digwa foi condenado a prisão perpétua com uma pena mínima de 21 anos pelo homicídio.

Nowak: Polícia demorou 8 minutos a ver facada e fez compressões torácicas
Os agentes que tomaram conta da ocorrência de Henry Nowak, no Reino Unido, demoraram oito minutos a descobrir os ferimentos, causados por um ataque com faca, no corpo do jovem. Nowak, de 18 anos, recorde-se, foi esfaqueado cinco vezes.
Carolina Pereira Soares | 21:25 – 24/06/2026



