A decisão surge depois de as autoridades norte-americanas e europeias não terem conseguido, pela segunda vez este mês, chegar a acordo sobre o nome do novo enviado internacional responsável pela supervisão dos aspetos civis do acordo de paz que pôs fim ao conflito interétnico na Bósnia na década de 1990.
Nos últimos anos, os países europeus, a Rússia e os Estados Unidos têm divergido sobre os poderes do alto representante, que é nomeado pelo comité diretivo do Conselho de Implementação da Paz (PIC), órgão responsável pela supervisão dos Acordos de Paz de Dayton.
O diplomata alemão Christian Schmidt demitiu-se em maio, alegando uma pressão “enorme e inesperada” de Washington.
Louis J. Crishock é o atual alto representante adjunto e a nomeação foi anunciada pelo Gabinete do Alto Representante (OHR).
Crishock, que é também o supervisor do distrito de Brcko (nordeste), assumirá as funções na quarta-feira, data em que a demissão de Schmidt entrará em vigor.
O comité declarou estar “determinado a chegar a acordo sobre a seleção de um novo alto representante o mais rapidamente possível, com o objetivo de finalizar essa nomeação até 14 de julho”.
O uso dos amplos poderes do alto representante por parte de Schmidt — incluindo a capacidade de impor leis ou de destituir autoridades eleitas — levou durante o seu mandato a um confronto com o líder sérvio-bósnio e aliado de Moscovo, Milorad Dodik.
Os Estados Unidos apoiam a manutenção do cargo, mas querem que o próximo alto representante transfira poderes para as instituições bósnias.
Em maio, a Rússia apelou ao encerramento imediato do OHR, numa reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada à situação no país balcânico.
Na Bósnia, os líderes sérvios e croatas têm defendido a abolição do cargo ou, pelo menos, a redução dos seus poderes. As autoridades bósnias, por outro lado, sustentam que os poderes discricionários do alto representante devem ser preservados.
Dois nomes foram apresentados como potenciais sucessores de Schmidt: o diplomata italiano Antonio Zanardi Landi – candidato preferido dos Estados Unidos – e o diplomata francês René Troccaz, apoiado pelo Reino Unido e pela Alemanha.
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