De acordo com a agência de notícias pública marroquina, MAP (Maghreb Arabe Presse), citando uma carta enviada em 2 de julho pelo rei marroquino ao presidente norte-americano, a via rápida Tiznit-Dkhla foi batizada “autoestrada Donald J. Trump”.
Trump tinha anunciado em 26 de julho um projeto de construção de uma autoestrada com o seu nome, que ligará as cidades de Tiznit e Dakhla, esta última localizada no território ocupado do Saara Ocidental.
A extremidade sul da autoestrada, em Dakhla, irá ligar-se ao megaprojeto do Porto Atlântico da cidade, atualmente em construção e com inauguração prevista para 2028.
Na carta citada hoje pela EFE, Mohammed VI refere que pretende assim agradecer a Donald Trump pelo seu “reconhecimento histórico da soberania de Marrocos, em 2020, sobre o ‘seu Saara’, que ficará para sempre gravado na memória dos marroquinos”.
“Em homenagem a esta demonstração de amizade e paz, tomei a decisão de batizar umas das infraestruturas rodoviárias mais importantes do reino com o nome ‘Autoestrada Donald J. Trump'”, escreveu o rei sobre aquela via que se estende por 1.055 quilómetros, algo que faz desta “a infraestrutura rodoviária mais longa de toda a África”.
Em dezembro de 2020, o presidente norte-americano manifestou o seu apoio a um plano de autonomia do Saara Ocidental, sob soberania marroquina, em troca da normalização das relações de Marrocos com Israel.
Donald Trump reiterou hoje o reconhecimento da soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental.
“Os Estados Unidos são claros: reconhecemos a soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental e apoiamos a proposta marroquina de uma autonomia séria, credível e realista como única base para uma solução justa e duradoura”, salientou Donald Trump, num comunicado, que enviou ao rei de Marrocos, Mohamed VI, por ocasião do 27.º aniversário da entronização, citado pela EFE.
As palavras de Trump surgiram depois de uma crise migratória sem precedentes entre Marrocos e Espanha, após a entrada de cerca de mais de 60 mil migrantes em Ceuta, território espanhol situado no Norte de África, ao longo de dois dias e que causou pelo menos 67 mortos.
A antiga colónia espanhola do Saara Ocidental foi ocupada por Marrocos em 1975, apesar da resistência armada da Frente Polisário até 1991, altura em que os dois lados assinaram um cessar-fogo com vista à realização de um referendo sobre a autodeterminação.
As divergências sobre a consulta e a inclusão ou exclusão dos colonos marroquinos impediram, até ao momento, a realização do referendo.
O mais recente revés para o povo sarauí foi o apoio dos governos espanhol e francês ao plano de autonomia marroquino, uma mudança de posição descrita como uma traição pela Frente Polisário, que considera que Espanha é ainda a potência administrativa do Saara Ocidental.
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