O acordo assinado em janeiro entre os curdos sírios e o poder central para a integração no Estado sírio das instituições da administração autónoma prevê o regresso dos deslocados curdos durante a guerra.
O processo sofreu atrasos, mas esta primeira etapa é “o resultado dos esforços” e da “coordenação contínua” entre as duas partes, congratulou-se Jawan Isso, membro de um comité que representa os deslocados de Ras al-Ain, em declarações à agência noticiosa France-Presse (AFP).
Segundo Jawan Isso, um segundo grupo de deslocados deverá seguir-se “nos próximos dias” e cerca de 100.000 pessoas no total querem regressar.
“Estava à espera deste momento… É como um sonho, regressar a casa. Estou feliz por este sofrimento chegar ao fim”, confidenciou à AFP Noura Khoder, de 37 anos, a partir da cidade de Hasaka, onde encontrou refúgio nos últimos anos.
No local, um jornalista da AFP viu dezenas de camiões carregados de móveis e pertences, e famílias com os seus filhos, prontas para partir.
Dezenas de milhares de curdos foram obrigados a fugir da região de Ras al-Ain em 2019, perante uma ofensiva das forças turcas e dos seus aliados sírios contra as forças curdas, que assumiram na altura o controlo de uma faixa territorial de 120 quilómetros, ao longo da fronteira com a Turquia.
Segundo testemunhos de residentes e de organizações de defesa dos direitos humanos, casas e bens foram saqueados, roubados e danificados.
Raouda Mohammed, de 39 anos, soube que a sua casa está “completamente destruída”, deixando de lado a ideia de se deixar vencer pelo pessimismo.
“Estamos felizes por regressar e, uma vez de volta, (…) veremos o que podemos fazer”, afirmou Raouda.
Esta primeira etapa é “o início de um processo de regresso global, não o fim do processo”, alertou o comité que representa os deslocados de Ras al-Ain num comunicado, no qual sublinhou a necessidade de “proteger os direitos de propriedade, habitação e terras” e de “fornecer os serviços básicos e as infraestruturas necessárias”.
No total e após mais de 13 anos de guerra civil, cerca de 5,5 milhões de pessoas continuam deslocadas na Síria, segundo as Nações Unidas.
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