O líder do Chega, André Ventura, afirmou que a idade da reforma é um “elemento central” no acordo para a revisão da legislação laboral e defendeu que é necessário “voltar aos 40 anos de desconto ou aos 65 anos de idade”.
“É um elemento central para nós”, frisou, em entrevista à SIC Notícias. “Disse ao primeiro-ministro que acho que temos de mostrar às pessoas que queremos melhorar a vida delas”.
Para o líder da oposição, é necessário “começar a fazer a trajetória de evitar trabalhar até morrer e com cada vez menos direitos”.
Recusando “prejudicar a negociação que está em curso” com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, Ventura disse apenas que “não houve consenso” sobre a idade da reforma na reunião entre ambos.
“Não houve consenso porque há posições que são diferentes, e que são legítimas. PSD tem uma posição diferente da do Chega e isso é legítimo. Nós temos de começar a inverter a pirâmide, começar a fazer o caminho de não se trabalhar até morrer e ter pensões baixas”, acrescentou.
Após ser questionado sobre se o Chega apoiaria o Governo numa possível reforma da Segurança Social, Ventura foi taxativo: “Até admito mais. Admito que seria o Chega a propor uma reforma da Segurança Social”.
Neste sentido, defendeu que o partido, além de querer baixar a idade da reforma, pretende também “limitar as pensões milionárias”. “Num país em que muitos recebem 500€, 600€ ou 700€, haver pessoas que ganham 10.000€ tendo trabalhado dez anos, é uma injustiça e uma imoralidade”, atirou.
Sublinhe-se que o líder do Chega anunciou, na tarde de terça-feira, que a reunião que teve com o primeiro-ministro sobre as alterações à lei laboral terminou sem acordo e indicou que o partido e o Governo iriam “continuar a trabalhar” nas próximas horas.
“Até ao momento não foi possível chegar a um entendimento”, afirmou, indicando que as duas partes vão trabalhar “toda a noite, todo o dia, para procurar chegar a uma solução” e “perceber se é possível haver este entendimento ou não”.
Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, o presidente do Chega reiterou que o pacote laboral foi “mal feito e mal desenhado desde o início”.
“Não é uma questão de vamos deixar ver como é que corre depois, há questões de fundo que têm que ser alteradas e que o Chega não pode, em consciência com o que disse e com a vida das pessoas e com a vida dos trabalhadores e com a vida dos empresários, não pode, em consciência, permitir ou viabilizar”, salientou.
A proposta do Governo de revisão do Código do Trabalho vai ser discutida amanhã, quinta-feira, no Parlamento, não tendo ainda aprovação garantida.

Reunião de Ventura com PM sem sucesso: “Acordo ainda não foi possível”
André Ventura anunciou que a reunião com Luís Montenegro a propósito da lei laboral terminou sem acordo. “Nas próximas horas, vamos trabalhar para se chegar a perceber se há entendimento ou não”, disse o líder do Chega. Sublinhe-se que amanhã, quarta-feira, é dia de debate quinzenal, na véspera do debate sobre a lei laboral.
Anabela Sousa Dantas com Lusa | 18:56 – 16/06/2026



