O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, anunciou, este sábado, que a presidência irlandesa da União Europeia (UE) convocará uma reunião de emergência, na terça-feira, “para debater os desenvolvimentos em Ceuta”, na sequência de uma carta enviada por 22 líderes europeus.
“Na qualidade de país que detém a presidência, a Irlanda convocará, na terça-feira, uma reunião do Conselho da Justiça e Assuntos Internos da UE, presidida por Jim O’Callaghan [ministro da Justiça, dos Assuntos Internos e da Migração da Irlanda], para debater os desenvolvimentos em Ceuta”, escreveu o chefe do Governo, na rede social X (Twitter).
O responsável asseverou que o país mantém também “contacto próximo com todos os Estados-membros e com as instituições”, continuando, por isso, “a acompanhar a situação”.
As Presidency holders, Ireland will convene a meeting on Tuesday of the EU Justice and Home Affairs Council, chaired by @OCallaghanJim, to discuss developments in Ceuta.
We remain in close contact with all member states and the institutions and continue to monitor the situation.
— Micheál Martin (@MichealMartinTD) August 1, 2026
Jim O’Callaghan, por seu turno, assinalou que “a Irlanda continua a manifestar o seu forte apoio e solidariedade para com o governo espanhol”, sendo que o encontro de terça-feira “terá lugar na sequência de uma reunião do Mecanismo Integrado de Resposta a Crises Políticas, que o [seu] Ministério organizou hoje de manhã, e de uma reunião dos embaixadores da UE prevista para segunda-feira”.
On Tuesday, I will convene a meeting of Justice & Home Affairs Council to discuss developments in Ceuta. This will follow a meeting of the Integrated Political Crisis Response mechanism which my Department hosted earlier today, and a meeting of EU Ambassadors planned for Monday.
— Jim O’Callaghan TD (@OCallaghanJim) August 1, 2026
De notar que 22 líderes da UE solicitaram uma “videoconferência de emergência” dos ministros da Administração Interna europeus, para avaliar e responder à situação criada pela entrada ilegal de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta.
“Não podemos permitir que as travessias massivas e incontroladas, a instrumentalização das migrações ou outras ameaças híbridas deem a sensação de que é possível entrar ilegalmente na UE. E que uma entrada ilegal possa depois transformar-se numa estadia legal”, apontaram, numa carta endereçada à presidência irlandesa da UE, ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A carta foi iniciada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, cujo país suspendeu temporariamente as regras do espaço Schengen em relação a Espanha, e a homóloga dinamarquesa Mette Frederiksen, que considerou, na sexta-feira, que a UE deveria equacionar suspender a cooperação Schengen com Espanha.
Entre os outros signatários estão o chanceler alemão Friedrich Merz e os primeiros-ministros da Hungria, Suécia e Polónia, mas não assinam os líderes francês e português, cujos países são vizinhos imediatos de Espanha.
Esta reunião deve permitir realizar uma avaliação conjunta da situação e concordar com uma resposta europeia coordenada, incluindo a mobilização rápida dos instrumentos disponíveis da União Europeia, bem como o apoio necessário a Espanha para restabelecer um controlo efetivo da fronteira externa da União e impedir novas travessias incontroladas, afirma a carta.
“Os ministros devem, em particular, examinar a possibilidade de reforçar o apoio da Frontex [a agência europeia encarregada da vigilância das fronteiras] bem como a eficácia da cooperação da União Europeia com Marrocos”, precisa.
Dezenas de milhares de migrantes penetraram ilegalmente nos últimos dias no enclave espanhol de Ceuta vindos de Marrocos. Espanha afirmou hoje que a situação estava “quase” a voltar ao normal, com seu primeiro-ministro Pedro Sanchez a denunciar a atitude “egoísta” de alguns países da UE.
[Notícia atualizada às 17h01]
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