“Estamos dispostos à mudança. Estamos dispostos a fazer este país avançar juntos. Mas não à custa de ver os nossos direitos minados, a nossa segurança social reduzida e o fruto de toda uma vida de trabalho menosprezado”, afirmou a presidente da Confederação Alemã de Sindicatos (DGB), Yasmin Fahimi, no âmbito da jornada de ação convocada em 15 cidades em prol de trabalho digno, dum Estado social forte e duma pensão fiável.
No seu discurso em Essen (oeste), Yasmin Fahimi rejeitou a tentativa de culpar os trabalhadores pela situação económica, bem como os ataques à jornada de trabalho, à saúde, aos cuidados e às pensões, afirmando que não ia deixar tirar o que foi construído “ao longo de muitos anos em matéria de direitos sociais” e “conquistado com muito esforço”.
“Uma economia forte não se consegue cortando na segurança social e aumentando ainda mais a carga sobre os trabalhadores. Consegue-se através de investimentos, inovações, bons empregos e bons salários que garantam o poder de compra”, defendeu Yasmin Fahimi.
A sindicalista criticou as exigências de flexibilizar e alargar a jornada de trabalho de oito horas e sublinhou que, já hoje, muitos trabalhadores estão sujeitos a pressão para obter rendimento, trabalho por turnos e fins de semana, bem como disponibilidade permanente.
“Quem enfraquece a lei da jornada de trabalho não torna o trabalho mais produtivo. Torna-o mais prejudicial para a saúde”, afirmou.
Por outro lado, Yasmin Fahimi sublinhou que a segurança social não é uma dádiva, mas algo que os trabalhadores conquistaram com o seu esforço, e salientou que quem reduz as contribuições, cortando nas prestações, transfere os custos para os segurados.
“A nossa segurança social não é um cofre que o Governo possa saquear quando estiver com falta de fundos. É o nosso dinheiro. É o nosso direito. Conquistámo-lo com o nosso próprio esforço”, avisou.
Nesse sentido, em matéria de saúde e cuidados, Yasmin Fahimi reivindicou um financiamento solidário e uma prestação de cuidados próxima do local de residência, com boas condições laborais e salários de acordo com a convenção coletiva.
Fahimi defendeu ainda a pensão sem cortes após 45 anos de contribuições, mesmo que ainda não se tenha atingido a idade de reforma, o que, até agora, permitia aos segurados com uma antiguidade particularmente longa deixar de trabalhar aos 63 anos.
Segundo a DGB, 17 mil pessoas participaram nas manifestações e concentrações organizadas em Berlim, Bremen, Erfurt, Essen, Frankfurt, Friburgo, Hamburgo, Hanôver, Kiel, Leipzig, Magdeburgo, Nuremberga, Rostock, Saarbrück e Estugarda.
Muitos dos elementos das reformas anunciadas pelo Governo de coligação entre conservadores e social-democratas são rejeitados por amplos setores da população, que manifestaram o seu descontentamento nas urnas nas recentes eleições regionais da Saxónia-Anhalt, Mecklemburgo -Vorpommern e Berlim, onde a União Democrata-Cristã (CDU) do chanceler Friedrich Merz, sofreu uma queda acentuada e chegou mesmo a ficar de fora de um parlamento regional.
Após as eleições, a liderança do Partido Social-Democrata (SPD) reafirmou a sua lealdade à coligação governamental e defendeu a necessidade de reformas, embora tenha sublinhado que estas devem ser justas e contar com o apoio da população.
A copresidente do SPD e ministra do Trabalho, Bärbel Bas, afirmou, nesse sentido, que as reformas devem ser submetidas a “uma avaliação realista, por um lado, e, acima de tudo, a uma avaliação em termos de equidade”, enquanto o colíder dos social-democratas e ministro das Finanças, o vice-chanceler Lars Klingbeil, declarou que “em ambos os aspetos, o conteúdo das reformas” deve melhorar.

Alemanha critica Costa e diz que pode estar “desfasado da realidade”
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, foi criticado pelo ministro para os Assuntos Europeus alemão, Gunther Krichbaum, que disse que o ex-primeiro-ministro português pode estar “desafasado da realidade” após uma entrevista dada.
Notícias ao Minuto | 12:17 – 23/09/2026



